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“Educação é cara? Tentem a ignorância”, novo texto de Claudemir Oliveira


Prezados Sonhadores,

Este artigo fala de minha visão sobre a educação em geral. Espero que gostem e não percam a parte 2 que sai em junho. Aproveito para agradecer a todos vocês por sempre me ajudarem. Nosso programa de negócios Disneylogia que começa neste domingo esgotou com 2 meses de antecedência. Temos 23 participantes que vão ter um curso intensivo. O próximo será em Novembro 3-9, 2013 e você pode pagar em até 24 vezes de USD 199.00, mais uma entrada, no cartão de crédito internacional. Forte abraço a todos e otima leitura

Claudemir Oliveira

P.S. Clique DUAS vezes sobre a foto abaixo para ler o texto

50 PP Educacao e Ignorancia May 2013 PART I sem DATA

EDUCAÇÃO É CARA? TENTEM A IGNORÂNCIA!” (I)

     Duas aulas, além do meu constante descontentamento com o mundo acadêmico, me inspiraram a escrever este artigo. Uma foi sobre comunicação feita brilhantemente pelo Doutor
Anthony Portigliatti, reitor da FCU, Florida Christian University, em Orlando, Flórida. A outra foi na Harvard Medical School, sobre como tratar jovens adultos (Treating Young Adults). A primeira frase da aula do professor Portigliatti traz uma célebre máxima de Benjamin Franklin que servirá como base para praticamente todo este meu texto: “o que sabe pensar, mas não sabe expressar o que pensa, está no mesmo nível do que não sabe pensar”. Complemento com outra frase de Albert Einstein: “Se você não pode explicar de um jeito simples, você não entendeu bem o suficiente.”

Desde os meus treze anos, para ajudar minha família, em especial meu amado pai e minha adorável mãe, eu decidi investir tudo o que tinha em educação e, desde então,  vivo em aulas e, através deste meu sonho de ajudá-los, eu ganhei o melhor presente de todos, descobrindo que a educação é, na verdade, o maior investimento que algúem pode fazer, já que ninguém jamais ousará roubar algo tão intransferível. Lembro como hoje uma frase de Aristóteles que diz que “a educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces.” Com ela, consegui enxergar a doçura futura no meio do que era, a princípio, um amargo presente. Tenho, naturalmente, aprendido muito e quero continuar nesta caminhada. Sob o ângulo da Psicologia Positiva, uma das minhas paixões, este texto tem o objetivo de sugerir mudanças para a evolução do próprio sistema educacional. Óbvio que é um texto opinativo e generalizado, por questão de espaço, deixando, assim, possíveis lacunas para interpretações e reflexões.

Por vir de uma infância bem pobre, nunca pude estudar nas melhores escolas. Sempre achei que o aluno ainda faz a diferença. A escola é, sim, importante, mas ela não é tudo. O melhor exemplo que tenho para demonstrar este pensamento é relacionado ao estudo da língua inglesa. Quando era office-boy nas ruas de São Paulo, década de 80, brincadeiras eram constantes de que eu estava estudando em escolas inferiores às mais conceituadas e, como sobra, ainda zombavam do meu sotaque nordestino. As piadas eram sempre irônicas, do tipo, “Claudemir, você nem fala Português direito, como vai aprender uma lingua estrangeira?” Os amigos em volta caiam em gargalhadas. Eu ficava calado e a ironia servia apenas como combustível para eu seguir em frente. Leiam o artigo “Você já comeu água?”, onde narro estes duros anos em busca de meus sonhos. Isto mesmo, eu “comia” água por não ter dinheiro para o almoço. Naquela época eu não tinha uma resposta completa, mas hoje tenho e passo para todos aqueles que sonham em estudar, mas tem esta mania equivocada que tem de começar pelas melhores instituições. Com medo das ironias, acabam sem fazer absolutamente nada. Eis minha resposta a ter estudado em escolas não tão conceituadas na época. O verbo “to be” em uma aula de inglês na pior escola do mundo ou na Harvard ou Oxford é exatamente assim: “I am, you are, he is, she is, it is, we are, you are, they are”. Não me entendam mal, se você puder estudar nas melhores escolas, vá em frente, mas não fique parado como acontece com muita gente. Não conheço ninguém que tenha atingido o sucesso pela inércia. Não conheço colheita vindo antes da plantação e da transpiração. Vou mais além, e já escrevi isto em outros artigos, que o doutorado da vida é superior a qualquer universidade do planeta.

Aqui começa minha inquietação com o sistema educacional que tenho visto nos últimos anos. As grandes instituições continuam tratando seus alunos como num processo pedagógico, no sentido de um adulto ensinando uma criança. Na pedagogia, de forma generalizada, existe ainda esta ideia de que o professor (adulto) sabe tudo e a criança não sabe nada. Estou usando esta analogia porque a partir do momento que entrei em estudos mais aprofundados como um mestrado e um doutorado, sempre tive esta sensação de ser um mero aprendiz para a escola e para os professores. Entre o aluno e a instituição a pedra no caminho é o ego. Raramente, tive a sensação de poder ensinar com minhas experiências.

Eu tenho um profundo respeito pelo trabalho de Paulo Freire. Ao ponto que adoro a pedagogia (educação voltada para crianças) e andragogia (educação voltada para adultos) desde que venha com um toque da teoria dele que pode ser resumida nesta frase: não existe ensinar sem aprender e não existe aprender sem ensinar. Ele também disse que “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção e não há saber mais ou saber menos; há saberes diferentes”. Existe uma história de um pescador (seu João) que retrata bem este pensamento. Ele tabalhava atravessando pessoas de um lado para o outro do rio. Um dia, um advogado e um professor estavam no seu barco. Os dois, julgando-se muito mais inteligentes, resolveram ironizar o fato de o seu João nunca ter estudado. A viagem segue até que uma tempestade chega, o vento se torna quase incontrolável e ele percebe um certo nervosismo do advogado e do professor. Então, seu João resolve fazer a pergunta de um milhão de dólares: “Vocês sabem nadar?”. Todos nós sabemos muito sobre alguma coisa e precisamos entender que todos sabem muito sobre alguma outra coisa diferente também. Alguém sabe nadar melhor que você. Uso este mesmo pensamento para o mundo corporativo. Sempre digo que um pedreiro pode dar uma bela lição a um engenheiro ou ao presidente da construtora. Mas para isto, as pessoas precisam estar PREDISPOSTAS a querer aprender. O ego é como uma coluna que bloqueia a sabedoria que vem de baixo que, por sua vez, não recebe a sabedoria que vem de cima. Nos meus programas de negócios aqui nos EUA, uso uma metodologia onde aceito executivos, diretores, gerentes e colaboradores na mesma sala e todos aprendem e ensinam. Óbvio, o ego de alguns executivos não é tão simpático a esta ideia. Não estou dizendo que não posso ter um programa para cada nivel hierárquico de uma empresa. Estou apenas dizendo que TODOS, sem exceção, podem ensinar desde que o ambiente seja criado.

Quando eu uso a expressão que respeito o doutorado da vida, espelho-me na filosofia de Paulo Freire. Quando eu me sento diante de uma pessoa, seja um desconhecido, seja um amigo, seja um cliente, eu tento tirar meu ego da frente e me abro para aprender com ela (Tony, obrigado por esta também, pois sei que usa esta linda filosofia com seus filhos). Naturalmente que sabemos que precisamos filtrar aquilo que ouvimos. Estar aberto a ouvir não significa necessariamente aceitar tudo, mas é um grande passo para se aprender muito. Muitas vezes, nosso ego se torna o assassino de nossa humildade. Shakespeare disse: “Cada pessoa que encontro é, de alguma forma, superior a mim”.

Ouvi preciosidades como esta durante a fase da tese: “vamos fazer a vida de vocês um inferno”. Quando perguntava ao professor o motivo, a resposta era a pior que poderia existir. “Porque o meu doutorado foi um inferno”. Nesta fase, os professores tentam passar uma ideia que terminar um doutorado é uma tortura, algo inatingível. Não vou nem comentar o fato de trocas de orientadores durante o processo, onde cada um vem com seu ego próprio, e decidem mudar tudo o que foi combinado com o orientador anterior. Esta foi minha experiência e de muitos alunos que conheci em diversas universidades americanas. Talvez não tenha sido a sua. Talvez aí no Brasil seja diferente. Isto não é ciência, entendam que é um texto opinativo e generalizado, mas posso garantir que a maioria dos que passam por este processo tem uma experiência similar. Aliás, uma grande parcela das universidades falam com orgulho (não entendo qual o motivo) que uma porção mínima de estudantes do doutorado chegam a terminar a tese. O jornal “The Washington Post” fala que o número fica entre 12% (quem termina o doutorado em 5 anos) e 49% (quem termina em 10 anos). A desistência é na fase da tese. Ou seja, menos da metade consegue terminá-la. Aqui, minha primeira pergunta ao sistema destes deuses acadêmicos: como vocês explicam que estes alunos chegam até a tese com notas extremamente altas e falham exatamente no final? Não é uma grande incoerência? Não poderíamos considerar estas estruturas educacionais incompetentes por deixar uma grande maioria de sonhadores morrer na praia? Ou seria o fato de os próprios professores não saberem conduzir esta fase tão importante no processo por pura incompetência? Ou seria ainda uma proteção para ter apenas uma elite com PhD? Ou ainda seria uma forma disfarçada de ficar cobrando dos alunos pelo famoso “continuous matriculation”? Sim, há muita gente no topo das universidades que não vão gostar nada destas últimas perguntas e a razão é simples: eles não tem respostas. Vão ter de engolir a seco! E gostaria de acrescentar que eu tenho todas as respostas para as perguntas que fiz acima.

No próximo mês, terminarei este artigo, falando um pouco do sistema educacional para as crianças. Elas já não tem mais tanto tempo para serem simplesmente crianças. Uma pena. Também, voltarei a falar com os doutores e qual a razão de se fazer uma tese que nem mesmo as mães vão ler e que ficará empoeirada nas gavetas das universidades. Aguardem!

* É presidente do Seeds of Dreams Institute, jornalista, pós-graduado em Marketing (ESPM) e Comunicação (ESPM), mestrado e doutorando em Psicoterapia (EUA), com foco em Psicologia Positiva. É membro vitalício da Harvard University e referência internacional em Psicologia Positiva. Vive em Orlando desde 2000. Contato: www.seedsofdreams.org 

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Comments

  1. Ótimo texto Claudemir,

    Excelente linha de raciocínio, educação em primeiro lugar sempre.

    Sensacionais perguntas no final do texto. Gostei!

    Aguardo ansiosamente a segunda parte do texto.

    Um abraço.

    Robson Amorim

  2. Gustavo Fonseca says:

    Muito Bom Mestre. Abs Gustavo Fonseca

  3. Claudemir, a sua disciplina e determinação o conduzem a uma trajetória de sucesso. Poucos possuem a sua lucidez e humildade.
    É um privilégio ser sua amiga e aprender a cada dia um novo aprendizado.

  4. Maria da Penha de Souza e Freitas says:

    Parabéns!! Achei a seu artigo sensacional, e fico aguardando a segunda fase, a sua história de vida é maravilhosa, sucessoooooooooo

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