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Quando o racional é irracional – Parte II


Prezados Sonhadores,

Aqui, a segunda parte do artigo onde falo sobre nossa irracionalidade humana. Espero que gostem. Gostaria de agradecer o apoio que temos recebido não apenas nos webinars, palestras ao vivo de Orlando diretamente para o conforto de sua casa, do seu computador e também dos nossos programas de negócios. O Disneylogia, programa de negócios focado em filosofia Disney e serviços acontece entre dias 12 e 18 de maio aqui em Orlando. Temos apenas mais 5 vagas e, com um acordo com a Amex, Visa, Mastercard, estamos financiando em até 20 vezes.

Espero vê-lo aqui. Como gosto muito de vocês, os 5 primeiros que lerem este meu blog, receberão gratuitamente entrada no webinar da próxima quinta-feira, as 21 horas de Brasilia, duração de 2 horas. A palestra será sobre a história de Mickey Mouse e como ele revolucionou o império Disney de hoje. Imperdível. Então, corra e se registre neste link. Se você receber uma resposta de pendencia e em seguida uma de CONFIRMAÇÃO, significa que você foi um dos 5 primeiros a lerem aqui. Boa sorte e aqui está o link para o registro

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Clique duas vezes sobre a imagem para ler o artigo:

47 PP QUANDO O RACIONAL E IRRACIONAL sem DATA

PSICOLOGIA POSITIVA

Claudemir Oliveira*

   QUANDO O RACIONAL É IRRACIONAL (II)?

 

     No artigo passado, falamos muito da irracionalidade humana em diversas áreas de nossa vida. Continuamos nesta mesma linha.

Deixe-me mostrar um outro exemplo como nossa mente funciona (ou não funciona). Dan Ariely mostra uma pesquisa feita na Europa, em vários países. A pergunta era quem naqueles países gostaria de ser doador de órgãos. Áustria, França, Hungria, Polônia, Porgual tiveram 100% de adesão dos pesquisados. Bégica teve 98% e Suécia teve 86%. Já a Dinamarca teve 4%, Alemanha 12%, Reino Unido 17% e Holanda 28%. O pesquisador não entendeu porque países vizinhos tinham aquela diferença e decidiu investigar um pouco mais para saber os motivos. Quando ele foi ver a forma como as perguntas foram feitas nestes países, ele descobriu a razão. Nos países de menor adesão, a pergunta era mais ou menos assim: assinale o quadrado ao lado se você quiser participar no programa de doação de órgãos.  O que ocorreu então? As pessoas não assinalaram e obviamente não quiseram ser parte dos doadores. No caso dos paises com altíssima aceitação pela doação dos órgãos, a pergunta foi feita de forma diferente: assinale o quadrado ao lado se você não quiser participar no programa de doação de órgãos. As pessoas não assinalaram e obviamente “quiseram” fazer parte dos doadores. A dedução clara desta experiência é que as pessoas não estão decidindo, mas deixando suas decisões nas mãos dos outros. Por isto sou tão cético a alguns tipos de pesquisas. O exemplo acima é apenas para mostrar como nossa mente funciona. Como nossa racionalidade está sendo testada diariamente pela racionalidade ou irracionalidade de outras pessoas. A tendência é piorar se não entrarmos no estado de  conscientização que tanto falamos. O exemplo acima prova que não estamos tendo tempo para ler o que nos é entregue, é como se estivéssemos no automático, estivéssemos num estado insconsciente. Alías, existe algo parecido chamado “driving amnesia”, não sei se existe tradução para este termo em Português, mas é o processo de se dirigir de forma “inconsciente” até um determinado local. Sabe aquela sensação de você chegar ao destino e perguntar: gente, como cheguei aqui? Imagine o perigo.

Uma sala, uma janela

     Voltando ao assunto dos órgãos, por que não doamos? Em nível inconsciente, mais uma vez, é porque não conseguimos entrar no mundo daqueles que precisam. É porque isto não acontecerá com a gente. É a ideia que, se eu não preciso, ninguém precisa. Por que não doamos sangue? Mesmo raciocínio. Somos imediatistas e egoístas. Somos milhões assistindo ao BBB, novelas, etc e somos poucos ajudando ao próximo. Não, não pense que eu ache que devemos parar de assistir ao BBB, o meu ponto é mais profundo. Refiro-me à lacuna humana; refiro-me ao fato que, além de termos tempo para a televisão, podemos ter tempo para assistência aos outros. Sou fascinado por doar plaquetas, doar sangue e, às vezes, me pergunto: se apenas 1% dos telespectadores decidisse apenas UMA VEZ por ano fazer sua doação, acabaríamos com um grande problema nos hospitais. Simples assim. E quase ninguém consegue entender a história da gota no oceano de Madre Teresa de Calcutá. Eu escrevi uma frase quando ainda era adolescente que até hoje me faz refletir: por que será que só aprendemos a mastigar quando perdemos os dentes? Pura irracionalidade. Ainda não sabemos potencializar a gratidão no nosso dia a dia. Em vez de agradecer o que temos, reclamamos do que não temos e por isto continuamos cada vez mais pobres, mais vazios. Ao buscar o muito inexistente, o nosso existente diminui. Ao focar no “pouco” existente, além de ele aumentar, ele atrai o ainda inexistente. Quando nos queixamos de tudo, deixamos nosso espírito sem espaço para sermos gratos. O contrário também é verdade: quando somos gratos a tudo, matamos a raíz das queixas. Precisamos, urgentemente, alimentar a gratidão. No campeonato da vida, a vontade de agir (transpiração) tem de ser, no mínimo, igual ou, preferencialmente, maior do que a própria vontade de vencer (inspiração). A inspiração alimenta, transfere energia para a transpiração. Ela é a semente do sonho. A transpiração alimenta, transfere energia para a inspiração. Este é o ciclo imbatível dos vencedores. Denomino a sequência deste processo de transformação, seguido por transcendência. Faz parte da visão de minha empresa Seeds of Dreams Institute.

Outra experiência interessante. Se eu perguntasse a você, leitor, quem é mais feliz? Um ganhador da loteria ou uma pessoa que ficou paraplégica? Provavelmente 99% para não dizer 100% vão dizer que o ganhador da loto é mais feliz. Pois bem, não funciona tão simples assim. Estudos científicos comprovam que, um ano depois, os dois tem a mesma probabilidade de serem felizes caso queiram. Eu insisto em palestras e artigos que a felicidade é um sentimento interno, não externo. Se você tiver este sentimento dentro de você, o externo tem pouca influência. A vida nos prepara surpresas e o seu estado interno tem de ser preparado para encarar novas situações. As pessoas não conseguem se adaptar às circunstâncias, principalmente as consideradas negativas. Precisamos buscar significado em todas experiências, senão viveremos num vácuo existencial para citar meu ilustre Viktor Frankl. Mais um exemplo. Já tive clientes em psicoterapia que estavam muito infelizes com o trabalho deles. Durante as terapias, eu perguntava qual era o sonho daquela pessoa e ela me dizia que queria ser gerente ou diretor porque queria uma sala com uma janela. O tempo passa, esta pessoa conquista seu sonho. Um mês, dois meses e volta a ser infeliz. Por que? Porque não é a sala com janela, não é o salário novo, não é nada disso que vai trazer felicidade para ela. Ela está infeliz. A felicidade interna é o segredo. Circunstâncias exteriores são meros detalhes.

Natural e Sintética

     Dan Gibert também fala da felicidade natural e da felicidade sintética. A primeira é quando a gente recebe o que a gente espera receber. A sintética é o que a gente faz com aquilo que não acontece da forma como planejamos. Parece confuso, mas não é. Imagine que você, para ser feliz, precisa de um dia ensolarado. Vem o domingo e o dia está lindo e ensolarado. Esta seria, então, uma felicidade natural. Imagine agora um dia chuvoso. Você então analisa o dia sob outra perspectiva. Você avalia o valor da chuva para a natureza e todos os benefícios que ela nos proporciona, etc. Ou seja, você acabou de criar uma felicidade sintética.

Sou fanático por Albert Ellis, outro grande psicólogo americano, que fala do mesmo tema utilizando nossa racionalidade para superar desafios. Ele usa uma frase de Epictetus (55 AD), filósofo grego, que diz “que nós nos sentimos perturbados não pelo que nos acontece, mas pelos pensamentos sobre o que nos acontece”. Também, há uma tendência a fazermos uma tempestade num copo de água. Nossos medos, em geral, são bem menores do que nossa mente cria. Portanto, num mundo em que nem sempre conseguimos tudo aquilo que queremos ou necessitamos, a felicidade sintética é primordial. É uma parceira extraordinária porque ela trabalha na adversidade. Escrevi em outro artigo que ser feliz na Primavera (felicidade natural) é fácil. A arte está em ser feliz também no inverno (felicidade sintética). O frio e a escuridão exterior do inverno não podem esfriar o seu calor interno, não podem apagar sua luz interna. É como um velejador que está feliz quando o vento sopra na direção correta (natural), mas sabe ajustar as velas (sintética) quando o vento muda. É como Fernando Pessoa escreveu: “Pedras no caminho? Guardo todas. Um dia vou construir um castelo”.

Eu cresci com a noção que somos seres racionais para nos diferenciar dos animais. A cada ano que passa chego a conclusão que temos ainda muito dos animais no que diz respeito à irracionalidade. No quesito humanidade, temos muitos exemplos que os animais estão mais humanos que a nossa raça. Quem ama cachorros sabe do que estou falando. Mas, como adepto da Psicologia Positiva, acredito em nossa evolução. A grande questão é quanto tempo levaremos para chegarmos a um nível aceitável de nossa real conscientização. É ela que nos dá a racionalidade para a ação. Sair do estado insconsciente para o estado consciente é um excelente começo, mas as pessoas param aí. Precisamos dar só mais um passinho: temos de começar a agir.

Eu costumo definir três tipos de pessoas: 1 – aquelas que não aprendem com seus próprios erros (inferiores); 2 – aquelas que aprendem com seus próprios erros (medianos); 3 – aquelas que aprendem com seus próprios erros e/ou com os erros dos outros (superiores). Ainda existe um nível mais avançado que chamo de “transcendente”, espaço reservado a uma minoria. Aqueles que não aprendem com seus próprios erros estão em estado de “devolução” porque precisam voltar e recomeçar. Aqueles que aprendem com seus erros estão em estado de evolução e aqueles que aprendem com os erros dos outros estão em nível avançado. Em qual estágio você se encontra?

 

 

* É presidente do Seeds of Dreams Institute, jornalista, pós-graduado em Marketing (ESPM) e Comunicação (ESPM), mestrado e doutorando em Psicoterapia (EUA), com foco em Psicologia Positiva. É membro vitalício da Harvard University e referência internacional em Psicologia Positiva. Vive em Orlando desde 2000.

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Comments

  1. Parabéns! Muito bom!

      Yara

    ________________________________

  2. Arnaldo says:

    Caro Mi mais uma vez, viajei em sua articulação das idéias, parabéns! essa capacidade de absorver, ordenar e repassar informações de modo construtivo é muito preciosa para quem precisa de insights! grande abraço. Arnaldo

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