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Comunicação Cibernética


Prezados Sonhadores,

Mais um artigo falando de comunicação. Espero que gostem e aproveitem o Carnaval.

Forte abraço,

Claudemir

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46 PP COMUNICACAO CIBERNETICA Jan SEM data

COMUNICAÇÃO CIBERNÉTICA 

     O que me levou a escrever este artigo é o desespero que a área de comunicação vem passando ao longo dos anos, não apenas no Brasil, mas no mundo. Recebi hoje, aqui em Orlando, correspondência da “Time Magazine” para renovação de minha assinatura. Não sei se é desespero ou suicídio. O preço de capa custaria por um ano $254.49 (56 edições da revista). Pois bem, eu só preciso pagar $20.00, pelas mesmas 56 edições. Ela também oferece mais uma anuidade gratuita para quem eu indicar. Vamos lá, então pagarei $20 doláres por 112 edições. Além disto, ela me dá um presente equivalente a uns $30,00. A matemática não fecha.

Alguns entendidos no assunto vão me chamar de inocente, pensando que eu não sei que a estratégia da revista é o número de assinantes que importa, pois a negociação de seus anúncios é baseada no número de pessoas que a revista atinge. Será que sou tão bobo e inocente assim? Se minha empresa um dia vier a anunciar num veículo deste porte, eu levarei em consideração não apenas números de assinantes pelas razões acima expostas. Então, são estratégias fracas, que demonstram desespero. Como jornalista formado, óbvio que fico triste, mas é a dura realidade. Vocês já repararam que a Folha de São Paulo e outros veículos estão querendo cobrar também quando você acessa a internet? Você agora tem apenas um certo número de acessos permitidos e, para seguir lendo, você precisa pagar. É outra estratégia complexa, porque se eu sei que vou encontrar estas mesmas informações em outros veículos, eu vou resistir a pagar por este serviço.

Carles Darwin e Orkut

     Uma das razões para o que está ocorrendo, no caso das revistas e jornais, além de outras áreas, é o mundo cibernético. Se não me engano, a revista Meio & Mensagem noticiou que todos os dias bancas de jornais estão sendo fechadas. Agências de viagens também estão sendo fechadas porque o consumidor está migrando para a internet. Aqui nos Estados Unidos, as livrarias também estão passando por momentos complicados. É uma nova revolução pela “sobrevivência” e quem não se adapar às regras do Charles Darwin vai ficar pelo caminho. Disse ele que “não é o mais inteligente ou o mais forte das espécies que sobrevive, mas aquele que se adapta às mudanças”. Eu acrescentaria duas palavrinhas mágicas à frase dele: se adapta MAIS RAPIDAMENTE. É uma verdadeira luta pela sobrevivência. Eu escrevi em outro artigo que o Facebook enguliria o Orkut. Eu sei, eu sei, o pessoal do Orkut vai falar que eles tem milhões de pessoas no sistema. Sim, mas isto é apenas parte da verdade. No mesmo caso das assinaturas, a grande questão é saber quem é ativo, quem realmente usa o sistema. A mesma analogia serve para muitas outras empresas que falam com a boca cheia de seus números. Hoje, quando eu publico uma noticia da minha empresa no Facebook ou em outra rede social eu posso programar para que a mesma notícia vá para todos os outros canais. Eu nem entro mais no Twitter, mas minhas noticias todas estão lá diariamente. Quem não souber filtrar as tendências de mercado vai ter dor de cabeça lá na frente. Se você quiser ter milhares de seguidores no Facebook, é só ter dinheiro que os números sobem em questão de minutos, horas. Eu tenho 7 mil seguidores na página da minha empresa, mas posso garantir que quando você vir algumas páginas com 60 mil ou 6 milhões, não necessariamente são “seguidores”. Foram, de uma forma delicada, “comprados”. Não tenho nada contra isto, estou apenas mostrando o lado que as pessoas não gostam de falar. Eu, particularmente, não vejo o Facebook como social. Eu o uso comercialmente em 95% do tempo. Eu também quero ter 6 milhões de seguidores e, se para isto tiver de fazer alguma campanha no futuro, eu farei sem nenhum problema. Se eu tivesse que resumir tudo, estamos vivendo num mundo de aparências onde todos acham (em nível inconsciente) ou fazem de conta que é real. Estamos na era que quantidade vale mais que qualidade e já estamos pagando e continuaremos pagando um preço por isto. É uma colheita do que estamos plantando. Lei de causa e efeito. Simples assim.

Twitter = analfabetismo

     Este mundo online tem suas vantagens e suas desvantagens como tudo na vida. O lado positivo é que podemos atingir o mundo em segundos, somos atores protagonistas, ou melhor, somos diretores de nossas vidas. Um lado preocupante está na falta de conteúdo no que estamos fazendo. O volume de informações é tão gigante que as pessoas não tem como digerir e, como consequência, surge um Twitter onde você precisa se expressar em 140 caracteres. Precisamos ser superficiais para sobrevivermos esta avalanche de informações. Algo que me preocupa profundamente são as consequências desta rapidez cibernética. Ao querermos falar tudo, para todos, ao mesmo tempo, e em poucas palavras, estamos acabando sem falar nada. É como se tivéssemos uma vestimenta linda, mas estamos ocos, estamos ficando com um “vácuo intelectual” (para não dizer espiritual) que pode trazer consequências sérias nas próximas décadas. Tudo hoje tem de ser mastigadinho, como se fôssemos bebês. Precisamos de papinhas de 140 caracteres. Precisamos cortar as frutas em 140 pedacinhos e por aí vai. Ler Shakespeare, Fernando Pessoa, Machado de Assis? Claudemir, isto já quase não existe. Ninguém tem mais tempo para se aprofundar nas coisas. Tanto é verdade que hoje as pessoas tem acesso a maioria destas obras-primas gratuitamente na internet exatamente porque não existe mais tanta procura. Não estou aqui pregando o apocalipse, absolutamente, estou apenas escrevendo sentimentos, reflexões de alguém que também anda sem tempo, que também não está tendo tempo para ler um bom livro, mesmo sabendo que tem muito mais conteúdo que 140 caracteres. Que o mundo cibernético não faça com o nosso português o que a calculadora fez com a nossa matemática. Precisamos voltar a saber dividir, somar e multiplicar com a nossa melhor máquina, nossa mente e, também, com nossa calculadora. Mas os dois precisam funcionar.

Carência humana

        Para fechar, e escrevi isto no artigo Facebook e Ferrari, o Facebook e tantos outros veículos sociais demonstram que  estamos carentes, que queremos sim dizer que estamos no aeroporto a caminho de Paris. Queremos sim mostrar ao mundo a foto da mulher amada. Queremos ser validados porque no dia a dia, as pessoas são críticas. As pessoas não conseguem enxergar nossa grandiosidade. O lado perigoso reside na forma como a notícia é dada, pois muitas vezes, de forma inconsciente, é uma resposta que estamos dando a outras pessoas. É como se buscássemos uma aceitação. Estamos tão carentes que queremos tudo ao mesmo tempo e aí estamos nos perdendo. Não pensem que vejo tudo como negativo, pois enxergo muitas coisas boas no que estamos vivendo. Temos mais de 1 bilhão de pessoas no Facebook se comunicando de alguma forma. Esta e outras ferramentas são poderosas, mas falta equilíbrio e, ao desequilibrarmos, podemos dar com a testa no chão.     

* É presidente do Seeds of Dreams Institute, jornalista, pós-graduado em Marketing (ESPM) e Comunicação (ESPM), mestrado e doutorando em Psicoterapia (EUA), com foco em Psicologia Positiva. É membro vitalício da Harvard University e referência internacional em Psicologia Positiva. Vive em Orlando desde 2000. Contato: www.seedsofdreams.org 

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Comments

  1. Regina Maria M. Adams says:

    Claudemir, desculpe o atrazo no meu comentário,achei espetacular esta matéria, pois também afirmo que muitos valores se perdem apesar da rapides das informações hoje obtidas através da informátic, como é bom poder segurar nas mãos um bom livro. Frequento muito livrarias fico triste quando não posso sair dela com mais livros do que aquele que adquiri. Parabens seus artigos sempre completam a minha maneira de pensar.Um grande abraço para você e a querida Deborah.
    Regina e Richard.

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