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O Futuro do Coaching por Claudemir Oliveira Parte I


Prezados Sonhadores,

Dias 21 e 22 de Outubro estarei em Boston no Congresso de Coaching da Harvard University voltado para liderança na área de saúde. Óbvio, me registrei nas palestras que envolvem o coaching e a Psicologia Positiva. Meu artigo é uma reflexão, em duas partes, para o futuro do coaching. Tenho, ainda, algumas restrições, e posso estar errado, do futuro desta área se continuarmos vendo profissionais prometendo o que nem mesmo a medicina promete; se continuarmos achando que qualquer curso de duas semanas é suficiente para ser um grande profissional. Existe um risco imenso de o coaching perder sua credibilidade exatamente pela sua popularidade. A partir do momento que qualquer pessoa pode, teoricamente, ser coach em duas semanas, você passa proporcionalmente a perder certa credibilidade. Portanto, o coaching somente se sustentará se associações mais sérias se envolverem; somente se universidades começarem a oferecer cursos mais completos e somente quando se entender que o coaching complementa uma experiência de profissão, de educação e de vida. O coaching não se sustenta por si só. Ele é a roupa, mas ele precisa de um corpo e de uma alma, ou seja, uma estrutura, para sobreviver.

Boa leitura e espero que você se junte a mim e a um seleto grupo de profissionais no programa que criei em Orlando, para o Carnaval (18 a 25 de fevereiro). Tenho pouquissimas vagas! Será uma semana de muito aprendizado! Mais informações: seeds@seedsofdreams.org. A pedido de estudantes, estarei lançando em algumas semanas, um produto similar para UNIVERSITÁRIOS. O programa também será em Orlando e terá foco na carreria profissional e pessoal e será baseado no empreendedorismo de Walt Disney durante sua juventude. Naturalmente, terá um valor mais acessível e Seeds of Dreams Institute dividirá em até 12 parcelas. O programa será na semana do professor, outubro de 2012.  Sempre quis ajudar jovens em suas carreiras e estou plantando aqui, neste momento, um sonho que será uma bela realidade. Conto com todos vocês e já os convido para a colheita!

Claudemir

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O FUTURO DO COACHING (I)

     Nos últimos anos, tem acontecido um “tsunami” de cursos de coaching aqui nos Estados Unidos, no mundo e, naturalmente, também no Brasil. Fiz alguns cursos, li vários livros e artigos, e gostaria de falar um pouco desta nova área sob o ângulo da Psicologia Positiva, método que utilizo, juntamente com técnicas tradicionais, com meus clientes. Como sempre, aviso meus leitores que uso generalizações devido a espaço.

A premissa bem básica do coaching é simplesmente trabalhar com um cliente para sair do presente (estado atual) para o futuro (estado desejado). Tem origem na palavra inglesa “coach”, que significa carruagem, ou seja, aquela que transporta alguém de um lugar para outro. O coaching não deve ser confundido com psicologia, terapia, consultoria, “mentoring”, nem aconselhamento. No entanto, poucos profissionais estão aptos a saber diferenciar todas essas áreas porque elas “colidem”. A linha é bem tênue.

Negando o passado

     Vejo que existem vários profissionais que abominam a PNL, Programação Neurolinguística.   Há onze anos eu invisto dia e noite em Psicologia Positiva, mas eu jamais esqueço do valor de todo o progresso que a psicologia tradicional nos trouxe. Sabemos, por exemplo, que Freud está ultrapassado em algumas áreas, mas negar sua influência na psicologia moderna seria uma grande injustiça. Na Psicologia Positiva, fico indignado quando vários expoentes desta nova ciência não dão crédito a pessoas que já falavam do tema antes. Aristóteles já falava de nossa busca pela felicidade. Mas para você não achar que estou indo longe demais, que tal Maslow, Carl Rogers ou mesmo Albert Ellis que tive o privilégio de ouvi-lo várias vezes? Eu não tenho problemas com roupas novas, criar algo novo, mas crédito tem de ser dado a quem originou as ideias. Já diz o ditado que “não há nada de novo sob o sol”. Muito do trabalho da Psicologia Positiva deve-se a esses e tantos outros nomes. Eu me recuso a entender como pioneiros da Piscologia Positiva usam termos como “flow” (Mihaly Csikszentmihalyi), “flourish” (Martin Seligman, Barbara Fredrickson) e não mencionam c-l-a-r-a-m-e-n-t-e que Maslow na década de 60 já falava em “peak experience”. Nem vou falar do método cognitivo ABCDE do Albert Ellis que é usado dia e noite e raramente se dá crédito. Óbvio, não nasci ontem, e tenho uma explicação porque isso ocorre. Chama-se EGO. Eu mudo uma vírgula e digo que é MEU. Isso se chama ingratidão. Lamentável. Dar crédito a alguém não nos diminui; pelo contrário, nos aumenta, nos faz mais nobre. Isso se chama gratidão. Então, ao negar a influência da PNL é negar o próprio coaching. É comer uma fruta sem reconhecer que a mesma foi semente. É cuspir no prato que comeu. Há gente muito boa na área assim como um monte de picaretas. Isto sem contar aqueles que usam da fragilidade emocional de clientes para aplicar técnicas terapêuticas (não de coaching) abrindo feridas e as deixando abertas. É como um cirurgião, sem credencial, que abre o corpo e não o fecha por falta de competência e humanidade.

Um dos diferenciais no meu processo de coaching é utilizar um pouco de “consultoria”, ou seja, ser mais diretivo, especialmente com executivos, mesmo sabendo do valor das perguntas abertas. Adaptar o processo às necessidades do cliente é fundamental. Imagine-se fazendo coaching para um gerente, um diretor, um presidente. Existe um formato próprio para cada um. Posso garantir que duas semanas de treinamento não são suficientes para trabalhar com um alto executivo. É como dar um Boeing 777 para qualquer um “dirigir”.

Foco na jornada

     Outro diferencial, talvez o maior deles, que utilizo, está no processo. O coaching copiou da sociedade, e no que chamo de “imediatismo moderno”, o foco no resultado (destino), se esquecendo um pouco do processo (jornada). Vivemos num mundo onde pensamos em ser presidente a qualquer custo e nos esquecemos que a caminhada precisa ser agradável para fazer sentido. Apesar de saber que devemos ter em mente o futuro (o destino), o doutorado da vida tem me ensinado que o nosso controle é muito maior na jornada. Nosso controle sobre o destino é quase zero, pois somos mortais. O amanhã não nos pertence.  Portanto, diferentemente desse “pulo” do coaching tradicional para o estado desejado, eu foco muito mais na jornada do cliente. Como ele pode, sim, chegar ao estado desejado, mas feliz durante a caminhada? Isto é pura Psicologia Positiva e uso várias técnicas desta ciência. Alguns coaches podem argumentar: mas Claudemir, não é óbvio isso? Para mim é mais que óbvio, mas preste atenção nos textos, em todas as chamadas que falam de coaching para você ver que o foco não está ai, mas na largada e na chegada. É apenas uma questão de foco. Outros profissionais podem ter mais um argumento: Claudemir, como focar na jornada com o cliente se, em geral, o coaching dura 6, 8, 10, 12 sessões? Eu me refiro, na verdade, muito mais na jornada do cliente durante e, principalmente, depois do término das sessões. A arte está em encontrar ferramentas que sirvam durante a vida. Por isso que digo que há poucos profissionais que tenham essa capacidade. Por isso, estudo dia e noite para ser um deles. O sucesso não pode se restringir apenas às poucas sessões. Na minha visão, o processo de coaching, então, se divide em três principais fases: largada-JORNADA-chegada. Nos cinco pilares da Psicologia Positiva (P-E-R-M-A), a jornada estaria no M de “meaning”, ou seja, o significado, o propósito da vida. Eu também trabalho os outros pilares: P (Positive Emotions = emoções positivas), E (Engagement = compromisso e envolvimento), R (Relationship = relacionamentos) e A (Accomplishment ou Achievement = realização). E, em homenagem a um grande amigo, uso constantemente a frase da Nike: “Just Do It” para que meus clientes não fiquem no blá-blá-blá. Dou muitos exercícios para serem feitos, mas, ao contrário de uma escola infantil, não fico cobrando. É função do cliente plantar e cuidar das sementes de sonhos descobertas durante o processo. Caso perceba que haja passividade do outro lado, eu o aviso que meu tempo é  mais precioso que o dinheiro que ele o ela me paga, e se não houver comprometimento, eu paro o processo e abro espaço na agenda para quem realmente quer se transformar. Sabe porque faço isso? Por respeito a mim mesmo, por respeito ao meu cliente e por ter meu nome em jogo. Não quero clientes que não façam sua parte. Não brinco com sonhos.

Na segunda parte deste artigo, falarei sobre nossa busca incessante pela perfeição e suas consequências, além do movimento da autoajuda, autoestima e motivação. Terminarei o artigo com minha visão sobre o futuro do coaching. Até lá e muitas sementes de sonhos nesta primavera que se inicia!

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Comments

  1. Claudemir,

    Adorei o artigo: Dar crédito aos que embasaram a psicologia; valorizar o processo , a caminhada…. Obrigada por provocar reflexões! Abrs,

  2. Aliane Pina says:

    Parafraseando um clichê sobre a felicidade: “A felicidade não deve ser o destino que almejamos, mas o caminho que percorremos para alcançá-lo.”

    Sucesso, Claudemir!

    • Aliane,
      Sua frase diz tudo… é o caminho, não o destino o segredo da vida… e no artigo eu explico: NÃO se tem controle sobre o destino por sermos mortais… ou seja, não temos controle sobre a chegada… mas a arte está na jornada, no caminho como voce bem fala…

  3. Olá Claudemir!

    Mais uma vez parabéns pelo ótimo artigo! Concordo em gênero, número e grau com seu raciocínio! Só dá crédito aquele que tem segurança de não se sentir à sombra de outros nomes.
    Quanto ao coaching, realmente não é um curso de duas semanas que te joga no mercado com as pontas todas soltas que te fará um bom profissional, no mínimo. Justamente por isso busco a formação acadêmica em psicologia e cada vez mais agregar conhecimento. E just do it!
    O coaching precisa de uma organização e de pessoas que não tenham o EGO inflado e possam dar créditos a profissão. Mexer com sonhos é uma responsabilidade muito grande e a jornada não é durante o processo em si, mas dar ferramentas ao cliente para continuar por si só!

    Forte abraço!

    • Alexandre,
      Esse é o caminho, meu amigo, esse é o caminho… precisamos sempre estarmos estudando, aprendendo e não querendo prometer que andamos sobre água… risos… não deixe de ler a parte II que sai mes que vem, onde vou mais a fundo com os picaretas…
      Claudemir

  4. Ou Claudemir, parabéns pelo seu artigo, claro, objetivo e apaixonante ! Adorei sua colocação referente “o coaching complementa uma experiência de profissão, de educação e de vida. O Coach não se sustenta por si só”….nada é novo no processo do Coach e aliar a experiência de nossa jornada com as técnicas que o Coach nos proporciona é a sociedade ideal para a semeadura e cultivo dos sonhos, nossos e de nossos clientes. Parabéns e sucesso na semeadura . Geisa Mourao – DeepChange Coaching.

    • Geisa,
      Muito obrigado por sua mensagem. Adorei o titulo DeepChange Coaching… muito legal… o artigo é mesmo para reflexão, para ver se pouco a pouco vamos separando o que é bom do que não presta… abraços e muito obrigado
      Claudemir

  5. Gustavo says:

    Claudemir,
    Eu gosto muito de ler seus artigos, sempre aprendo muito, mesmo tendo 20 anos e estudando direito.
    Parabéns!
    Gustavo

  6. Edson Santos says:

    Claudemir;

    Você certamente vai dar a Luz para aqueles que precisam conhecer o seculo XXI , sem pensar que a praticas aplicada no século XXV (escravidão) são importantes para a “sustentabilidade de uma empresa” Os Estasos unidos estão sofrendo pela ganancia de executivos que enganou um população ingenua que investiram em ações de empresas que não valiam nada. aqui no Brasil algumas empresas estão vendendo produtos fabricados por escravos do seculo XXI.

  7. Jefferson Duarte says:

    Olá Claudemir. Boa Tarde
    Li seu artigo e, como acredito que nada é por acaso, me identifiquei.
    Tenho 25 anos e sou Gerente Geral de uma instituição financeira. Ao longo de toda minha trajetória, venho me deparando com o modelo gestão de pessoas que é adotado e não esta condizendo com meus valores e minhas CRENÇAS.

    Sempre quis trabalhar com capacitação e desenvolvimento de pessoas, e, na minha visão, não existe trabalho melhor do que este.

    Gostaria de fazer cursos específicos , para que pudesse me aprimorar ainda mais neste foco, PESSOAS.

    Caso me indicar, fico agradecido.
    Abs

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