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Quando um sorriso é tão importante quanto um bisturi


Prezado Sonhador,

Escrevi esse artigo em homenagem a grandes amigos médicos que tem a mesma preocupação. Que contribuição a Psicologia Positiva pode ter para a Medicina? Será que serve para outras áreas? O seu médico é daquele que nem olha nos seus olhos e já tem uma receita prescrita antes mesmo de você entrar na sala? Universidades como Stanford e Yale estão preocupadas com a falta de sensibilidade dos médicos. Em resumo, um corte no corpo deve ser precedido por um toque na alma. A maioria de nossas doenças do corpo são consequências de doenças emocionais. Em artigo passado, eu disse que quando a alma se cala, se inibe, o corpo se exibe, grita. Existe literatura científica para isso. Ou seja, não é apenas uma opinião do Claudemir.

Não importa que profissão você esteja. Você precisa desenvolver sua habilidade de relacionamento com seus clientes. O exemplo deste artigo pode ser seguido por qualquer profissão: advogados, administradores, professores, líderes em geral.

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PSICOLOGIA POSITIVA E MEDICINA

     Por ter vários amigos que são excelentes médicos, decidi tocar num assunto interessante e talvez polêmico para alguns profissionais da área de saúde. O artigo serve apenas como reflexão para profissões que tem como pressuposto assistir pessoas. Vou usar as palavras “cliente” e “paciente” como sinônimos apesar de não gostar de nenhuma delas e não ter encontrado uma palavra que se encaixe no conceito que tenho de alguém que busca um profissional de saúde. “cliente” passa uma ideia de negócios; “paciente” passa uma ideia terrível de passividade, de dependência, de paciência.

Nesta mesma coluna, falei sobre meu fascínio pela Psicoterapia Positiva. Eis uma parte do meu texto de junho de 2011 que pode servir à Medicina tradicional: “o silêncio emocional é um gatilho para mais dor emocional e até física; quando a alma se inibe, o corpo se exibe; quando as lágrimas se escondem, o corpo chora; por isso, muitas doenças são fotografias do estado emocional reprimido”. Diria que este pequeno parágrafo demonstra minha intenção de contribuição entre várias profissões na área de saúde.

Mais comunicação na Medicina?

    Aqui nos Estados Unidos e em viagens por outros países, sempre ouço clientes reclamando que os médicos só tem tempo para prescreverem receitas. Essa queixa também é comum aos psiquiatras. Sabemos dos desafios, da falta de estrutura, baixos salários e do volume de pessoas que passam por seus consultórios. Estes profissionais tem o argumento válido que não são psicoterapeutas para ficarem escutando histórias ou problemas psicológicos.

Ao ler o livro “The Heart & Soul of Change – What Works in Therapy” (numa tradução livre “O coração e a Alma da Mudança – O que funciona em Terapia), de Mark A. Hubble, Barry L. Duncan e Scott D. Miller, percebi algo muito interessante que pode servir para a maioria das profissões, incluindo a Medicina. Pesquisas em psicoterapia indicam que seu sucesso é baseado 30% na relação estabelecida entre o terapeuta e o cliente; ou seja, na confiança estabelecida entre os dois, na sensação de segurança naquele profissional. 40% depende de fatores externos, 15% das expectativas que o cliente tem de se curar e apenas 15% dos tipos de terapias usadas. Será que esse formato, com adaptação, funcionaria para a Medicina? Será que é função de um médico desenvolver técnicas de relacionamentos com seus clientes? Muitos vão achar absurdas minhas colocações, mas gostaria de argumentar um pouco mais. Não defendo que a Medicina se torne psicoterapia. Absolutamente. Mas uma porcentagem mínima dedicada ao relacionamento entre médico e cliente pode ser o grande diferencial. Isto, alinhado ao trabalho de psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, é um grande passo, mesmo sabendo de todos os desafios existentes.

Um sorriso antes do corte

     Uma troca de experiências entre esses profissionais é um caminho que não tenho medo de seguir. Aqui nos Estados Unidos, meu doutorado está me mostrando que uma das razões para isso ainda não estar acontecendo se chama orgulho de algumas instituições que se sentem superiores às outras. Na minha área de psicoterapia existem a American Psychological Association, American Counseling Association, American Assocation for Marriage and Family Therapy, e muitas outras. Todas se sentem superiores (para não dizer que tem narizes empinados) quando, no fundo, no fundo, tem um mesmo objetivo: ajudar um ser humano.  Enfim, deixo meu orgulho de lado, e me abro a possibilidades de aprender com todas elas. A interação entre assistentes sociais, psicólogos, psiquiatras e médicos deveria ser mais intensa. Sinto que as lideranças hospitalares precisariam mostrar os valores de cada setor. Se eu fosse líder de algum grande hospital, trabalharia dia e noite para essa integração. Pacientes que estivessem próximos de cirurgias delicadas teriam prioridades para algum tempo de “terapia” para descobrir suas inquietações. Para esclarecer que o hospital tem os melhores profissionais e que eles podem estar seguros que estão em boas mãos. Daria o nome a esse processo de “anestesia da alma”. Volto a repetir meu argumento para esse artigo: quando a alma se cala, o corpo grita, ou seja, muitas doenças são consequências do estado emocional. Portanto, um exímio médico precisa entender o significado de causa e consequência; um médico fantástico sabe que aquele sorriso dele é tão importante quanto um bisturi. Ele sabe que toda a tecnologia do mundo não substitui o seu belo e genuíno sorriso. Tratamos pessoas, não máquinas. É uma questão de tocar a alma para depois tocar o corpo. Eis Psicologia Positiva na prática. Eis a mistura mágica na opinião de um leigo como eu sobre a Medicina. De Hipócrates à Psicologia Positiva!

Um dedo quebrado; nove intactos

     Para terminar, existem várias coisas em comum entre a psicoterapia e a Medicina. A principal dela é a de não causar nenhum mal, dano a quem nos procura. Existem algumas diferenças básicas devido às características de cada uma. Se uma pessoa quebra um dedo e vai ao médico, todo o foco da Medicina tradicional é em curar essa dor, esse dedo quebrado. Não existe foco no que está bem. Se eu fosse um médico, talvez meu instinto da Psicologia Positiva seria falar com o cliente sobre os nove dedos perfeitos e ainda dos dez dedos dos pés. Sem me esquecer, claro, de curar o dedo doente. Acho um belo início de conversa entre um médico e um cliente, ou seja, diante da dor, ainda ser possível conversar sobre potencialidades. Aí reside, talvez, a grande contribuição da Psicologia Positiva à Medicina do futuro. A cura só é completa quando cuidamos do corpo e da alma.

Este artigo já estava pronto quando recebo uma mensagem de um grande médico brasileiro, Sergio Timerman, diretor do Instituto do Coração, com um artigo que saiu no New York Times, cujo tema vem ao encontro do exposto neste texto. O título publicado no dia 10 de julho de 2011 foi “New for aspiring doctors, the people skill test”. Basicamente, fala que os novos médicos precisam ter mais capacidade de comunicação com seus clientes. É como se os “pacientes” estivessem ficando “impacientes” com a Medicina tradicional. O artigo menciona grandes instituições que estão preocupadas com este tema, entre as quais, Yale e Stanford University.

Volto a repetir que, em nenhum momento, meu texto tenha alguma intenção de achar que um médico tenha de tomar muito do seu tempo para escutar problemas psicólogos dos seus clientes, mas acredito que exista um meio termo que pode beneficiar a carreira de Medicina. O meio de campo deve ser composto por assistentes sociais, psiquiatras e psicólogos, entre outros, mas para isso os conselhos regionais precisam entender que não são “deuses” na defesa de seus interesses. Juntos, poderemos melhorar a vida de pessoas que nos procuram em busca de saúde mental, espiritual e física. Obrigado por seu tempo e que sua alma seja sempre escutada para que seu corpo nunca chore. Obrigado!

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Comments

  1. Claudemir, que texto maravilhoso, verdadeiro de extrema importância!!!
    Realmente, meu amigo, nenhum “time” vence um “jogo” apenas com um “jogador”… Como mencionei em um artigo passado seu, uma andorinha sozinha não faz verão…
    Enquanto o “campo” permanecer “vazio”, cada vez mais, os pacientes se tornarão “impacientes”, o silêncio emocional continuará levando as almas a se “inibirem” e os corpos a chorarem copiosamente, sem uma solução realmente eficaz!
    A “anestesia da alma”, perfeitamente nomeada por você, é, sem a menor sombra de dúvidas, um dos medicamentos mais potentes e eficazes, com resultados garantidos e 100% positivos! Tive uma experiência com esse “tratamento preliminar” uma vez, e foi de extrema importância para mim!
    Que possamos, meu amigo, ver em breves dias, doses preciosas desses “medicamentos”, nas “veias” e diversas áreas profissionais ao redor do mundo!
    Parabéns por mais um belíssimo artigo!!!
    Um abraço,
    Tati

    • Obrigado Tatiana, e realmente que juntos possamos termos um sistema de saúde mais humano…. como bem coloquei no artigo, há médicos fantásticos, mas a ideia é que tenhamos cada vez mais… um forte abraço,
      Claudemir

  2. Mercia says:

    Excelente! Minha dentista e assim: nao sorri, nao diz bom dia, nao te pergunta como estas, e ainda espera que eu volte a cada 3 meses! Brincadeira ne? E claro que estou a procura de outro dentista, e nao e que eu queira bater papo com dentista, mas, um sorriso talvez mudasse muito minha relacao com ela. Parabens e que muitos profissionais da area da saude saiba disso!
    Um abraco,

    Mercia

    • Mercia,
      Ainda bem que você mencionou outros profissionais da saúde, pois no meu texto eu falei em psicólogos, médicos, assistentes sociais, mas há muitas outras áreas como os dentistas… pois é, no caso do dentista então nem se fala… risos….

  3. Mercia says:

    Esqueci de mencionar que moro em Sheffield, UK, aqui nao temos dentista em toda esquina como no Brasil, e temos que nos registrar a um dentista da area, ou pagar particular que custa caro, entao, as vezes temos que aguentar o que temos. Never mind! “Sorria, mesmo que seja um sorriso triste, pois mais triste que um sorriso triste é a tristeza de não saber sorrir”….ate um sorriso ‘amalelo’ como diz o cebolinha, vale mais doque nao sorri!

    Mercia

  4. Sirlon Jorge Rocha Moraes says:

    PSICOLOGIA POSITIVA E MEDICINA

    Saudações Claudemir.

    Parabéns pelo excelente texto e seus exemplos de aplicação no dia a dia, comprovando a todos, que muito ainda pode ser feito e aplicado, quando se tem humildade em perguntar, querer aprender em como fazer melhor sempre, com paixão, satisfação e entusiasmo, a quem nos relacionamos como profissionais ou prestadores de serviços.
    Um grande amigo abraço.
    Esteja com Deus.
    Sirlon Moraes.

  5. Aliane Pina says:

    Excelente o seu artigo, Claudemir! Eu tenho horror à uma determinada especialidade médica, mas, graças a Deus, encontrei um profissional que me trata de uma forma especial, que conversa comigo e não banaliza os meus medos e as minhas inseguranças. Torço para que o seu artigo seja amplamente divulgado, que ele alcance profissionais das mais diversas áreas e seja instrumento de reflexão e cura, neste tempo tão carente de “calor humano”, no qual vivemos.

    • Aline,
      É muito bom ter esse feedback. Eu conheci grandes médicos, maravilhosos e escrevi o artigo em homenagem a eles que já praticam isso… por isso, fui muito cuidadoso no meu texto para a medicina não achar que estou atacando de uma forma generalizada… realmente essa não é a intenção… super obrigado
      Claudemir

  6. Amigo, Claudemir. Parabéns pela profunda e linda exposição. Estes dias em função de uma situação de tensão constante, que você deve imaginar que seja, eu tive uma alteração de pressão assutadora. Fui ao médico e amigo, Dr João Jazbik, antes de me examinar conversamos amenidades, somente depois ele me examinou. Retornei com os exames, e o mesmo procedimento, conversamos, contamos piada etc, só depois ele abriu os exames. Cada consulta durou mais ou menos 2 h! Me senti acolhido nos dois momentos. Como o olhar, a atenção por si só, já nos alivia, um verdadeiro remédio.
    Grande abraço

    Hélio

    • Helio,
      Isto é médico, o resto é detalhe… aí, alguns médicos considerados espertos vão dizer… Claudemir, esse médico do Hélio é um otário porque ficou DUAS horas com ele… aí o Claudemir responde… esse médico tem o Helio para SEMPRE… isso é o que as pessoas não entendem… ser gentil, tomar um tempo extra para atender um ser humano gera FIDELIDADE… coisa que muita gente não sabe o que significa…
      abracos meu amigo e privilegio tê-lo aqui…
      Claudemir

  7. Malvicini says:

    Querido Claudemir,parabens e espero que a Psicologia positiva possa atingir todas as áreas profissionais. Como sabes sou Enfermeira especialista em Palliative Care em Londres, milhares de candidatos para a minha posição,nao conseguem o emprego por que nao tem a psycologia necessária para lidar com o paciente que tem poucos dias,meses ou horas de vida e também o suporte que a família precisa. E difícil ser positivo quando teu filho,ou pai,mae, eposa/o ,irmao/a; esta morrendo com câncer. E dificil para a pessoa que esta com câncer numa fase terminal aceitar que esta morrendo.Mais se nos como enfermeiras/os usamos a Psycologia positiva no modo como cuidamos destes pacientes e suas famílias, o beneficio e para todos.
    Abracos
    Jomalvicini

    • Jomalvicini,
      Sei que na sua área específica é muito mais que uma profissão, é uma verdadeira missão e a parabenizo por trabalho tão abençoado. Um forte abraço e obrigado pela visita.
      A vida é bela!!!
      Claudemir

  8. Charles Sousa Moraes says:

    Parabéns pelo artigo, Claudemir! Sou formado em comunicação e tenho a meta de cada vez mais unir uma boa comunicação à um atendimento atencioso e prestativo ao serviço das empresas: concordo e lhe apoio plenamente em relação à divulgação da Psicologia Positiva, pois realmente percebemos cada vez mais que as pessoas estão se tornando frias, distantes e desinteressadas com as demandas e aspirações de seus clientes, atitude nociva ao futuro e sucesso de um empreendimento que busca a excelência.
    Grande Abraço e boa sorte!
    Charles – Belo Horizonte

  9. josiane says:

    Prezado sonhador, tenho vivenciado no meu dia a dia , o quando um sorrisso pode salvar vidas. As pessoas estão tão preocupadas em suas obrigações ,que esquece de um gesto tâo puro e sincelo que é um sorrisso aberto. Isto enche a alma, nos torna mais humano e mais feliz!!!! abraços.

  10. Cludemir,
    Ótima reflexão. A formação dos médicos ao meu ver está focada na cura das enfermidades e no aspecto técnico que isso envolve. Para mudar penso que os cursos de medicina teriam que reformular sua grade currícular.
    Abrs,

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