post

Um Trem Solitário: Liderança Pessoal


Prezado Sonhador,

Conforme expliquei em blogs anteriores, em vez em quando, mudo os temas do que escrevo. A Psicoterapia e a vida me deram muitos ensinamentos. Este artigo, em específico, fala de forma poética do que poderíamos chamar de “liderança pessoal, liderança diante do sofrimento”. É uma mistura de experiências pessoais e experiências de clientes que chegaram ao meu escritório em busca de uma estação para descansar. Todos nós, de alguma forma, fazemos essa viagem descrita no artigo. O importante é saber que os símbolos colocados no texto (anjos, borboletas, estações, maquinista) estão sempre lá para provar que o sofrimento involuntário (nao o masoquismo) pode ser visto como um dos maiores mestres da natureza. A Psicologia Positiva fala muito em resiliência (voltar ao estado “zero”). Eu mudei o nome para “transcendência” (você não volta ao estado zero, você vai para um novo estado). Não deixe de ler meu artigo “Resiliência ou Transcendência?”. Em artigos anteriores e videos, falei que a academia está para o corpo, assim como o sofrimento está para a alma. Uma ótima semana e obrigado por serem anjos na minha linda caminhada! E não deixem de se registrar aqui no blog e visitar minha página do Facebook!!!!

Claudemir

P.S. Também fiz um resumo no vídeo abaixo. A música de fundo é do filme cuja história escrevi há mais de 20 anos e que tive o privilégio de vê-la transformada para o cinema. O filme é Once Not Far From Home.

Clique 2 vezes sobre a imagem:

Para que saibam, criei uma página no Facebook para separar o lado pessoal do profissional. Nesta página, você pode ver no lado esquerdo logo do youtube e twitter, ou seja, tudo no mesmo lugar. Se puder curtir essa página, agradeço antecipadamente. É só clicar abaixo.

UM TREM SOLITÁRIO

O sofrimento é uma viagem solitária e o destino é desconhecido até, pelo menos, metade da jornada. Não é que não existam anjos no caminho. A solidão acontece nos momentos que eles precisam descansar e seguir suas próprias estradas. Minha viagem é dentro de um trem silencioso. Em algumas estações, alguns anjos aparecem para me amparar, mas, em seguida, preciso embarcar de novo. Em todas as estações, tenho um em especial sempre me esperando. Neste trem, a companhia constante é o som dos trilhos e do vento; a cada estação, assentos são preenchidos por borboletas de variadas cores que me passam a sensação de querer transmitir uma mensagem. Meu primeiro assento é o número 2006. Quando a dor aperta muito, uma nova estação aparece e o alívio vem dos braços de mais anjos. Quero ficar pela segurança e pelo apoio, mas a natureza me impulsiona a seguir viagem. Volto ao trem e, entre centenas de assentos vazios, escolho um outro mais próximo da janela, o número 2011. No meio da noite, meu grito, que é abafado pelo vento, vem em forma de uma pequena frase: por que o trem está vazio? Na insônia, decido passar de vagão em vagão na esperança de encontrar companhia. A única luz que vejo está na frente, lá na frente, como se fosse a luz no fim do túnel. Enquanto cruzo todos aqueles vagões, borboletas me seguem e formam um círculo, querendo estabelecer comunicação. Não há primeira classe. Há correntes que parecem algemas segurando todos os vagões. Sento-me para descansar. A intensidade da dor me anestesia e durmo com uma canção de ninar feita pelo vento e, quando sinto frio, as borboletas se transformam em um belo lençol colorido, pousando suavemente sobre meu corpo. Agora, existe apenas o som do silêncio, passando de vagão em vagão, e um cheiro doce de um imenso laranjal.

No meio da noite, acordo soluçando e gritando “por que esse vazio?”. No desespero, começo a chorar e, ao fechar meus olhos, percebo a aproximação de mais borboletas que tocam minha face de forma quase imperceptível. É como se viessem em super câmera lenta. Em segundos, elas se transformam em um lenço, muito colorido, enxugando meu rosto ao sugarem as lágrimas. Uma pousa na minha boca abafando o grito. Quando a solidão chega à minha mente, é como se elas soubessem e se aproximam fazendo um círculo de proteção. São dezenas, centenas, milhares de borboletas naquele trem. De todas as cores, tamanhos e beleza.

Mais uma estação e mais encontros com mais anjos. Já é quase metade da jornada e começo a analisar minha vida por todos os ângulos. É na metade do caminho que entendo um pouco do doutorado oferecido pela universidade da vida. A mais profunda pesquisa é pessoal e qualitativa.

Subo mais uma vez no trem da vida. Agora, consigo abrir as janelas e sentir o cheiro do mato e das laranjas, o som dos pássaros; sinto a brisa tocar no meu rosto e seguir boca adentro para acalmar suavemente minha alma. A medida que a viagem prossegue, as estações começam a ter mais anjos. Mas o que mais me intriga é que o trem continua vazio, a não ser pela invasão das borboletas que insistem em fazer contato comigo, mas não consigo compreender a mensagem. Elas bailam na minha frente, fazendo um verdadeiro espetáculo da natureza.

A medida que a viagem segue, e o trem diminui a velocidade, percebo que algumas borboletas começam a me seguir pelo lado de fora, passando uma mensagem que elas precisam “entreter” outros viajantes necessitados. Mas ainda tenho muitas dentro dos vagões. Estou sentado e vejo pela janela que uma nova estação se aproxima. Lentamente o trem vai parando, parando, parando até parar. Seria a estação final? Seria meu destino? Deveria descer e ficar? Por que esse trem para se ninguém desce e ninguém sobe nele? Que mensagem tem essas paradas e essas estações? Observo que as borboletas começam a sair lentamente e voam em minha direção pelo lado de fora. De repente, um silêncio me invade e, de olhos fechados, reflito sobre toda a viagem. Encosto minha cabeça na janela, agora sem vento. Por que tantos bancos vazios? De repente, sinto um leve toque no meu ombro esquerdo, tão suave que continuo com os olhos fechados. Mais um suave toque e percebo alguém muito especial ao meu lado. Pergunto-lhe: por que estive tão sozinho? Com um sorriso, responde-me com outra pergunta: e o maquinista não conta, Claudemir? Sai lentamente e, antes de descer, lança um olhar e outro sorriso. Retira as correntes para deixar os vagões livres. Eu acompanho cada passo e vejo que se junta a outros anjos que também levam correntes. Saem lentamente em busca de outros trens, outras estações. Eu continuo sentado com meu rosto colado, grudado na janela e pensando na frase: e o maquinista não conta, Claudemir? A medida que acenam e se distanciam, começo a dormir.

No sono profundo, vem o sonho. Quando sonhamos, entendemos a linguagem das borboletas. Elas invadem meu quarto. A mais jovem, que acabara de passar pela metamorfose, me passa essa mensagem através das batidas de suas asas: a cura da dor, muitas vezes, está na própria dor. Faz parte das leis da natureza. Nossa viagem solitária é necessária. No silêncio do casulo, nos privamos de julgamentos, construímos nossas asas e nos preparamos para o grande voo. Nem sempre boas intenções contam, pois podem representar o corte de nossas asas. No inverno, as árvores ficam mudas e solitárias enquanto suas raízes, também mudas, se enterram em mais de sete palmos abaixo do solo, em busca de vida para nos dar flores e frutos por gerações. Tudo acontece em profunda solidão. A vida é uma viagem com várias estações com escadas para podermos subir e descer. A vida é uma viagem que só faz sentido se houver aprendizado entre uma estação e outra. Punição é voltar a estação anterior. Correção é chegar a próxima estação. A parada é para reflexão do passado, correção do presente e completa transformação do futuro. A próxima estação deverá sempre ser a melhor parada. Assim deverá caminhar a humanidade. Evolução é um caminho lindo e sem volta. O trem da vida nos espera para seguirmos adiante. A metaformose positiva acontece durante a viagem.

No final do sonho, todas borboletas me cercam e a mais experiente delas fica frente a frente comigo. Ela quer saber se tenho mais alguma dúvida. Repeti a mesma pergunta feita quando ainda estava no trem: por que estive tão sozinho? E a resposta, mais uma vez, é uma pergunta: e o maquinista não conta, Claudemir?

* É presidente do Seeds of Dreams Institute, jornalista, pós-graduado em Marketing (ESPM) e Comunicação (ESPM), mestrado e doutorando em Psicoterapia (EUA), com foco em Psicologia Positiva. É membro vitalício da Harvard University e referência internacional em Psicologia Positiva. Vive em Orlando desde 2000. Contato: www.seedsofdreams.org

Anúncios

Comments

  1. Luiz Rodrigues says:

    Só posso dizer …. PQP!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!1 vc se superou

  2. silvia guisasola says:

    Claudemir, muito linda a mensagem . Todos passamos pelo trem da vida mas muitas vezes nao paramos para reflexoes e nos desesperamos com as dificuldades. Adorei a analogia com as borboletas … quero uma para mim!

    • Silvia,
      Todas as borboletas do mundo para você e sua família… Uso-as em muitos textos como simbolo de TRANSCENDÊNCIA…. saudades de você e da brilhante colaboradora que
      você foi na American Airlines. Eu lembro do dia que te contratei… que tempo lindo ter toda aquela equipe que tenho tanto orgulho… abraços,
      Claudemir

  3. Márcoa says:

    Olá Claudemir,
    seu texto foi um presente muito positivo neste dia.
    Atualmente, meu trem está em um caminho que me entristece muito e estou fazendo o possível para mudar esse rumo, mas não depende só de mim. Acredito que eu ainda tenha que aprender alguma coisa.
    É fato que conheci e encontro muitos anjos sempre, e isso faz valer a pena. E é importante perceber que o maquinista nunca me deixou.

    Obrigada.

    • Marcia,
      ACREDITA… a próxima estação está próxima e ela te receberá de braços abertos… segure firme pois o engrandecimento acontece durante a viagem, provavavelmente onde você está agora.
      Que meu texto seja seu maquinista e que muito em breve você esteja bem… abraços e obrigado!
      Claudemir

  4. Rossil Basilio says:

    Claudemir,
    Esse maquinista é demais! Sem Ele eu não vivo.
    Continue com suas paradas e eu continuarei pelas minhas.
    As vezes nos cruzaremos e isto nos traz esperança e alegria.
    Bjs a vcs.

  5. Cludemir,
    Belo texto, provoca reflexão e não traz respostas prontas. O trem da vida é desse jeito….cheio de perguntas que só nos podemos encontrar as responstas. Parabéns! Abrs,

    • Yara, como grande coach que você é, sabemos que as respostas estão bem próximas da gente, mas as vezes não conseguimos enxergá-las… procuro dar um tom de FINAL ABERTO, que aprendi ao fazer um filme aqui nos EUA, ou seja, final que deixa liberdade para interpretações… cada um faz o seu final… o maquinista da minha história tem vários significados…. tive gente me falando que vê Deus, outros que veem seus pais que já partiram e por aí vai… é lindo ver essa relação… as estações e os anjos, e as borboletas, todos tem um significa para mim, nenhuma letra, palavra, frase é colocada no meu texto sem uma intenção, mas é legal ver as pessoas terem interpretações baseadas em suas vidas…abraços,
      Claudemir

  6. cleusa Oliveira says:

    Prezadíssimo amigo Mi,
    Que belo texto, rico em detalhes… acho que sou tão profunda quanto lenta em absorver tudo o que ele tráz…um dia quero falar dele, pois ainda tenho que ler, reler, aplicar, refletir,…mas não poderia atrasar o MUITO OBRIGADA por nos brindar esta maravilha…
    Um abraço com saudade
    cleusinha

    • Cleusa,
      O texto é para reflexão, muita reflexão… um forte abraço e muito obrigado!!!
      Claudemir
      P.S. Não se esqueça que o pequeno video que coloquei é um resumo do artigo com imagens e música o que facilita quando quiser revisitar o texto..

  7. Meu querido Claudemir…
    A cura para a dor, realmente, muitas vezes, está na própria dor… A dor, seja ela qual for, oferece a nós dois caminhos: um deles é aprender com ela e ser capaz de mudar o rumo das coisas e outro, é se revoltar e se perder nela e esse, sem dúvida, não é um atalho perigoso que nunca conduzirá a uma saída segura, não é mesmo!?!
    A difícil arte de viver, consiste em aprender com o passado, recriar o presente e modificar o futuro!
    Feliz de quem usa o sofrimento (volto a dizer, seja ele qual for, da natureza que for!!), para aprender e melhorar como ser humano. Sem dúvida, é um grande mecanismo de ensino, sabiamente operado pelo Maquinista (com “M” maiúsculo!!!), que NUNCA erra e manuseia esse mecanismo com grande Sabedoria, SEMPRE nos conduzindo por caminhos seguros, sem nos deixar e nem nos abandonar por um segundo sequer!
    Parabéns, meu amigo, pelo texto incrível!
    Um forte abraço, com muito carinho!
    Tati

  8. Malvicini says:

    Maravilhoso,muito profundo…..que os anjos humanos e espirituais estejam sempre ao seu lado ,iluminando a sua jornada.
    beijos
    JoMalvicini

  9. Ricardo amaral says:

    Cada vez mais o mundo caminha para uma evolução espiritual.
    Ótima metáfora!
    Claudemir, vc é o “cara”!

    abs,

    Ricardo amaral.

  10. Sempre tenho sensação de estar sendo observado mesmo quando estou sozinho, hahaha esse maquinista não tira uma folga, ainda bem!.valeu Claudemir.

  11. Regina Maria Adams says:

    Que sentimento profundo saber que existe um maquinista que estará sempre nos guiando.

  12. Vinicius Machado says:

    Que texto maravilhoso…
    Poético e sábio.
    Com um Maquinista como esse, vale a pena pensarmos em aproveitar mais a viagem…
    Abraços Claudemir
    Vinicius Machado

  13. Profundo, agradável e verdadeiro. Me identifico muito com a sua linguagem, amigo Claudemir. Gde abraço

  14. Ana Maria Colledan says:

    Simplesmente maravilhoso, sensível e profundo.
    Abraços
    Ana Maria

  15. Claudemir,

    Que vídeo, que texto, que vida, que dor, que caminho e mais que tudo, a solidão da dor e de aprender pela dor e com a dor. Profundo, verdadeiro e tão emocionante. Agora tudo faz sentido em diversos aspectos. Como o Maquinista ‘e importante nesse caminho. As vzs esquecemos que ele esta lá para lembrar que o trem não vai sozinho, que muitas vzs vai parar em algumas estações para mais alguns anjos apoiarem na jornada. E que jornada, e amém as borboletas do caminho para aliviar, desafogar o não entendimento. Parabéns por mais um texto incrível, aliás um dos mais tocantes.

    Abraços,
    Danielle

Deixe seus comentários (sementes de sonhos). Quero aprender com você!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: