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Walt Disney: Liderança Transcendental


Prezado Sonhador,

Obrigado mais uma vez pela visita. Como meus estudos nos últimos dez anos tem envolvido pesquisas na área da Psicologia Positiva e a vida de Walt Disney, aqui mais um artigo onde falo desses dois temas fascinantes. Em resumo, o título deste artigo tem a ver com liderança rara, liderança que dispensa presença física. Walt é o melhor exemplo que tenho, pois ele faleceu em 1966 e até hoje nos identificamos com sua filosofia. No meu caso, é até mais complexo, pois depois de 15 anos maravilhosos na empresa, ainda hoje não resisto pegar papel no chão dos parques e jogar  no lixeiro. Até hoje uso gravatas, relógios, meias com o Mickey Mouse. Isso sim, é liderança que ultrapassa gerações. O que você, como líder, quer deixar como legado? Já imaginou o seu estilo de lider ultrapassar gerações? Fantástico, não?

Ótima leitura e muitas sementes de sonhos para você, sua família e sua equipe!

Claudemir

P.S. O video abaixo é um formato (resumo do artigo) que muitos dos meus leitores professores tem usado em suas aulas.

Walt Disney: Liderança Transcendental

A empresa do presente e do futuro depende do
que chamo de “3L” (Líderes Lideram Líderes). Tudo parte do pressuposto que
todos tem potencialidades desde a base até o topo da pirâmide. A questão é
saber se o alto escalão consegue enxergar a base. Uso muito a Psicologia Positiva
porque está baseada na potencialidade humana. Como exemplo, o presidente de uma
construtora tem muito a aprender com o pedreiro da obra e, naturalmente,
vice-versa. O que percebo nas consultorias que faço é que a comunicação entre
os diferentes níveis hierárquicos é muito lento, quase parado. É como se
houvesse uma barreira de concreto (ego) em cada andar que evita o fluxo de
ideias de baixo para cima ou de cima para baixo. Como já disse em artigos
anteriores, o problema do poder é que, de cara, você já tem um elemento chamado
“ego”. É ele o responsável pelas barreiras. No exemplo acima, e generalizando, dificilmente
um engenheiro, um arquiteto tem ouvidos para aqueles simples colaboradores. Se
o profissional que está ao lado não tem a humildade de tentar aprender, imagine
o presidente da empresa. Então, entre o térreo e a cobertura de luxo existe uma
distância gigante. A ideia do colaborador é abafada no próprio andar. Não quero
aqui vender a ideia falsa de que deveríamos todos os dias ter uma reunião para
ouvir o pedreiro. Não é isso; refiro-me a, num princípio, informalmente, se
interessar pelo que ele faz. Ele pode ter dicas de segurança que o engenheiro
jamais imaginou. Ele pode ter ideias brilhantes mesmo no meio da poeira. A
dificuldade de se aceitarem essas ideias é porque temos o preconceito que existem
pessoas “superiores” e “inferiores”. Achamos que um diploma nos põe acima
daquele que não sabe ler. Todo mundo tem algo a ensinar, desde que saibamos criar
esse ambiente para o aprendizado. Eu vou continuar martelando minha ideia que a
melhor universidade do mundo não é a Harvard, Oxford ou Yale. Chama-se
“Universidade da Vida”. Todos estudamos nela e todos temos muito a ensinar e
aprender. Com arrogância não se tira nada de ninguém. Aprender e ensinar é uma
arte tirada da humildade. Aliás, a humildade já marcou vários encontros com o
ego, mas ele nunca apareceu. Nunca deu satisfação. É mal educado mesmo e, pelo
jeito, não tem intenção de estudar na Universidade da Vida já que lá existem
muitos humildes.

Lideranças precisam entender que uma empresa
é como uma orquestra. O maestro é importantíssimo, mas sem os músicos não há
sinfonia. Sem sinfonia não há público (clientes). É função do maestro encantar
os músicos. É, neste exato momento, no momento do encantamento que os músicos
se transformam em maestros. Este encantamento entra na veia e atinge o coração
do público, tornando-o fiel. Eis um dos segredos da fidelização; eis um dos
segredos mágicos da liderança.

CAVALOS NÃO LIDERAM GENTE

Estudos indicam que o fator determinante na
retenção de colaboradores é a relação entre líder e liderado. Especialistas
afirmam que, ao contrário do que muitos possam pensar, salário influencia pouco
na fidelidade do profissional ao empregador. Chefe “cavalo” (veja que não o
chamei de líder), durão, tem seus dias contados. Meu argumento é simples:
cavalos não lideram nem mesmo cavalos. Líderes lideram GENTE e cavalos. Estudo
feito pela Right Management, empresa
de consultoria organizacional, relata que o nível de fidelidade de colaboradores
com empresas está em crise. 34% dos funcionários de organizações com mais de 50
empregados afirmam estar comprometidos, enquanto 50% se dizem completamente sem
comprometimento. O estudo avaliou aproximadamente 40 mil funcionários em 15
países. Na maioria dos casos de demissão, as pessoas estão se demitindo do
“chefe” e não da empresa. Ruy Shiozara, executivo da Great Place to Work, instituto que realiza pesquisas sobre as
melhores empresas para se trabalhar, afirma que grande parte dos profissionais
se baseia na relação de confiança que tem com o superior imediato. Também é
importante o gosto pelo que se faz e o ambiente de trabalho que precisa ser
amigável. O consultor de recursos humanos, Armando Pastore Mendes Ribeiro,
acrescenta que “o salário e a promoção não aparecem nas pesquisas como fator
determinante para demonstrar o grau de satisfação dos funcionários”.

Eu defendo isso há anos. Não é que não
achamos salário importante, mas não é o principal fator. As pessoas estão
buscando felicidade nas empresas, afinal passamos muito tempo no trabalho. Se
puder ser com um ótimo salário, melhor ainda. Eu sempre defendi, por exemplo,
participação nos resultados em todos os níveis. Mas o recado para os gestores
é: façam seus funcionários felizes. Eu já disse várias vezes que dinheiro nem
traz, nem manda buscar felicidade; é o contrário: é a felicidade, o amor pelo
que se faz, que atrai o dinheiro. Tão elementar. Quando não podemos dar uma
aumento salarial para um colaborador extraordinário, encontre outras formas de
reconhecimento: um almoço, uma carta de agradecimento, faça algo. Atitude
simples pode ser fator crucial para que colaboradores vistam a camisa da
empresa. Quero lembrar que cabe ao professor encantar alunos (para que se
tornem professores); cabe ao maestro encantar músicos (para que se tornem
maestros) e cabe ao líder encantar colaboradores (para que se tornem líderes).

LIDERANÇA É ONIPRESENTE

Eu sei que você, leitor, tem uma pergunta.
Claudemir, tudo lindo, tudo maravilhoso, então me responda porque ainda há
tantos “chefes cavalos”? Existem muitas variáveis para responder, mas diria que,
na visão dos acionistas, que está na cobertura luxuosa (e, portanto, não
consegue escutar a base do edifício), os números ainda falam alto. Neste
momento, ele não quer saber se o colaborador está sendo bem ou mal tratado. Ele
não quer saber se o líder é cavalo, jumento, vaca ou urso de pelúcia. Ele está
feliz pelos números. Claudemir, você está, então, me dizendo que os “cavalos”
trazem resultados? Sim, leitor, trazem “excelentes” resultados, mas a curto e
médio prazo. A minha visão de liderança tem uma palavrinha mágica a mais:
curto, médio e LONGO prazo. Eu já vi muitos executivos, ao assumirem uma nova
posição,  dizerem: “Ï will rock the boat” (eu vou chacoalhar esse barco, em geral,
criticando o líder anterior), mas, no final, vi os mesmos caindo em água gelada.
E para finalizar meu pensamento: se você fosse um escravo e fosse obrigado a
“produzir” mais através de chibatadas e pauladas, eu posso garantir que num
curto espaço de tempo, você seria extremamente “produtivo”. Ou seja, o “medo”
pode gerar produtividade e até “motivação”. A pergunta chave é: até quando? E
qualquer pessoa de bom senso já sabe a resposta: duração com prazo de validade
curto. Eu fico completamente abismado ao saber que no nosso século ainda
existem “líderes” que se sentem orgulhosos por saber que a equipe tem medo
dele. Muitas empresas acabam criando esse tipo de liderança porque a pressão
por resultados é para ontem. Aí, a única forma é usar o medo como estratégia. Eu
falo de produtividade e felicidade em harmonia. Eu falo de produtividade para hoje,
amanhã, depois de amanhã e futuras gerações. Liderança jamais pode envolver
medo. Liderança é confiança, é alegria, é Psicologia Positiva. Liderança não
chacoalha barcos, mas ajusta as velas. Liderança não grita, mas inspira.
Liderança é onipresente.

Walt Disney nos deixou em 15 de dezembro de
1966. Eu já não trabalho para a Disney, depois de 15 anos mágicos, pois
realizei o grande sonho de abrir meu próprio instituto, e, no entanto, quando
vou aos parques, não consigo deixar de pegar qualquer papel sujo que encontro
pela frente. Walt deu esse exemplo a seus executivos quando passeava pela
Disneylândia, dias antes de sua abertura em 1955. Ele nos ensinou que os
parques deveriam ser limpos por líderes, começando por ele, e por liderados. Eu
faço palestras sobre Psicologia Positiva usando meias, camisas, gravatas e
relógios do Mickey Mouse. É minha forma de gratidão e uma forma de ter o Mickey
sempre do lado esquerdo do peito, no meu coração, mesmo sendo seu vizinho aqui
em Orlando. O que você, como líder, está fazendo que as pessoas vão querer se
espelhar depois de sua saída da empresa? O que você, como líder, está fazendo
para que futuras gerações se lembrem de seu estilo de liderar? Mesmo depois de
sua partida deste planeta? Eu deixarei sementes da Psicologia Positiva. E você?
Isso é pensar no que chamo de liderança transcendental. Em minhas pesquisas, de
mais de uma decada, sobre o homem Disney e a Psicologia Positiva, descobri que Walt
também teve seus momentos de fúria animal, mas me espelho em muito que aprendi
com ele, como professor e aluno da Disney University, como aluno da Universidade
da Vida, e com líderes fantásticos que encontrei em todas empresas por onde
passei.

Termino com uma das frases mais encantadoras
de Walt Disney: “Você pode sonhar, criar, desenhar e construir o lugar mais maravilhoso
do mundo, mas é necessário ter PESSOAS para transformar o sonho em realidade”.
Eis porque o homem está mais vivo do que nunca. Eis porque seu estilo de
liderança transcendeu. Eis meu fascínio por Walter Elias Disney, por pessoas e
pela fascinante Psicologia Positiva. Você não gostaria de ser um líder
transcendental?

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Comments

  1. Claudemir,
    Artigo muito inspirador, para nos lembrar o quanto o papel do lider verdadeiro é importante para a retenção de talentos. Grata por compartilhar conosco sua vivencia e conhencimento sobre Walt Disney. Abrs

  2. Bom dia Claudemir,

    Adorei esta apresentação, hoje vou fazer uma reunião com a minha Equipe e vou mostrar para eles.

    Um grande abraço e muito obrigado.

    William J. Périco

    • William,
      Obrigado e saiba que a maioria dos meus artigos estão em videos… no youtube se voce colocar CLAUDEMIR OLIVEIRA E ARTIGO aparecem todos…
      Forte abraço e ótima reunião. Em Julho se estiver em Orlando, vamos nos encontrar para um café.
      Abraços,
      Claudemir

  3. Solange Boeta says:

    Once again Congratulation!!!!!
    Um grande abraço

    Solange.

  4. Andrea Pompilio says:

    Caro Claudemir,
    Você é realmente um mestre da “Universidade da Vida”, sempre tão inspirador e com preciosos artigos. Parabéns pela excelente abordagem sobre liderença, sempre com um toque de Disney, o que é ainda mais encantador. Espero que muitos gestores possam se inspirar em suas sábias palavras e construir uma liderança deixando de lado o “medo” como estratégia e fazendo com que produtividade e felicidade caminhem de mãos dadas.
    Forte abraço,
    Andrea Pompilio

  5. Daniella Pensa says:

    Boa Tarde Claudemir,

    Tudo bem ?

    Fantástico este artigo. Obrigada por me enviar.

    Abraços

    Daniella Pensa

  6. Eliseu says:

    Claudemir, acho que essa foi a melhor materia que eu ja li!!!!
    Parabens!

  7. Beatriz Ribeiro Machado says:

    Claudemir, outro artigo inspirador. Interessante constatar que os líderes “cavalos” estão finalmente perdendo a força (eu sou testemunha viva disto!) e que líderes que trabalham no desenvolvimento e crescimento dos membros do grupo são os que sobrevivem. O livro de Daniel Pink – DRIVE, agora disponível também em portugues, está alinhado com seu discurso – salario é importante para recompensar atividades (mecanicas, rudimentares e cognitivas) onde foco é importante mas o que realmente motiva as pessoas sao: – autonomy, mastery and purpose. Líder é aquele que inspira e nos dá um propósito pelo qual vale a pena!
    Parabens mais uma vez.

    • Beatriz,
      Eu também tive alguns chefes cavalos (risos), mas encontrei também líderes fascinantes como o meu último lider na Disney. Um cara extraordinário… como é bom trabalhar para quem a gente quer sempre exceder. A questão de salário, muita gente não entende… não é que não gostemos de um super salário. Todos nós queremos. O ponto é mais profundo… é que a motivação é CURTA… a pergunta mágica é… quanto tempo depois do aumento salarial, você já começa a pensar no próximo aumento? Em geral, é super rápido porque a pessoa começa a se adaptar a nova siutação, compra carro mais novo, gasta mais com viagens e de repente ele está NA MESMA SITUAÇAO DE ANTES… enfim, muito legal suas dicas, principalmente do livro que pode ajudar meus leitores a se aprofundarem no assunto… Abraço e meu respeito pelo seu tempo!
      Claudemir

  8. Claudemir,
    O artigo é fascinante, incrivelmente enriquecedor e, tenho certeza absoluta, será muito comentado e mencionado em diversas reuniões de líderes e equipes mundo a fora!
    Aprender e ensinar, meu amigo, verdadeiramente, são artes tiradas da humildade, como você, sabiamente, mencionou. E essa mesma humildade, é a base de TODOS os níveis da fantástica Universidade da Vida. Com ela TUDO se torna mais fácil, as montanhas são aplainadas, os caminhos se abrem à nossa frente, enfim, ela é a disciplina fundamental na incrível arte de viver!
    Parabéns, meu amigo!!!! Como sempre, brilhante!!!!
    Um forte abraço!
    Tati

  9. Sirlon Jorge Rocha Moraes says:

    Saudações Claudemir.

    Sou assíduo leitor e também privilegiado, em receber sempre a sua Literatura Inteligente que é “A Psicologia Positiva” gratuitamente.
    A sua Humildade em nos passar estes ensinamentos, nos demonstram porque hoje você tem o Seeds Of Dreams Institute e também, o porque de seu carisma pessoal e profissional ” Transcendental”.
    Um grande amigo abraço.
    Esteja com Deus.
    Sirlon Moraes.

  10. Rosa Maria Mello says:

    Mi boa noite, como sempre vc continua brinlhante
    Adorei o artigo “Liderança Transcendental” esta muito bom
    de ampla compreensão. Tenho aplicado no trabalho e na
    comunidade esta dando muito certo . Que Deus te abençõe

    ABS

    Rosa

  11. Malvicini says:

    CLAUDEMIR, obrigado,voce e uma inspiração viva.

  12. Márcia says:

    Cavalos não lideram gente. Isto resumiu muito bem!
    Concordo plenamente que qualquer reconhecimento pode fazer a diferença, uma carta, um elogio. E essa felicidade pelos números é realmente o maior motivo da permanência dos chefes cavalos e até mesmo do atendimento de péssima qualidade. Quem pensa só em números, perde a sensibilidade de pensar em gente.

    Também sou eternamente grata ao Walt Disney, e à experiência que tive no College Program. O que aprendi lá, uso todos os dias. Inclusive catar papéis.
    Na verdade, devo admitir que tenho essa vontade em qualquer lugar que chego: de manter o local apresentável, limpo, de fazer a minha parte para chegar à excelência, sendo colaboradora ou não.

    Espero verdadeiramente e busco ser uma líder transcendental e inspiradora.

    Obrigada pelo artigo!
    abs,
    Márcia.

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