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Resiliência ou Transcendência?


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PSICOLOGIA POSITIVA   

Claudemir Oliveira*

   Resiliência ou Transcendência?

     Resiliência é um conceito da Física, mas também ligado à psicologia. Aqui o significado: elasticidade; retorno de mola; trabalho necessário para deformar um corpo até seu limite elástico.

     Imaginemos um bambu. Dobra, dobra, dobra, mas não quebra; ele vai até o seu limite e, ao ser solto, volta ao estágio inicial, ao zero. Isso seria resiliência, mas lanço uma melhor definição para experiências humanas.

Transcendência Humana

     Proponho um novo conceito: transcendência. Vejamos o que diz o dicionário: 1: qualidade que um objeto tem de exceder as fronteiras da própria classe ou do próprio âmbito; 2: sistema filosófico baseado na revelação divina.

     Para explicar meu ponto, vou usar Friedrich Nietzsche com a famosa frase: “Aquilo que não puder me destruir me tornará mais forte”. Meu amigo Alex Bachega, além dos ipês-amarelos, também me “apresentou” a sabedoria de Alejandro Spangenberg: “o fogo do sofrimento acende a luz da consciência”. É como o que falei na coluna passada: ouro é purificado pelo fogo; diamante e pérola, pela fricção. Borboletas não são resilientes, senão voltariam ao casulo; sua metamorfose a faz tanscender. A vida é assim. A altura do seu voo é proporcional à dificuldade encontrada no caminho. Se a vida fosse feita só de “molezas”, seríamos seres rastejantes, sem asas. Por isso, a vida tem seus lindos mistérios. Transcendência é sonhar no escuro. Viktor Frankl é meu psicólogo favorito. Ele, num campo de concentração, decidiu transcender ao focar em seus sonhos, não no inferno que passava. Chamar pessoas como ele de resilientes é uma infâmia, pelo menos para mim.

     Transcendência envolve um grande diferencial: emoções e pensamentos, coisa que a resiliência não tem. Evolução é obrigatória, mesmo que leve gerações. “Ignorância” é a falta de consciência do conhecimento. Ela tem sido responsável por tragédias humanas; somente quando tomarmos completa sabedoria do que fazemos, resolveremos o mistério da frase mais fascinante do cristianismo: “eles não sabem o que fazem”.

     Na última coluna, afirmei que o sofrimento involuntário pode esculpir a alma positivamente da mesma maneira que o exercício esculpe o corpo. Portanto, tomam uma forma diferente, o que não acontece na definição de resiliência. Creio que alma esculpida é uma ponte para o divino. Por que? Porque nossa religiosidade, nossa espiritualidade aumentam proporcionalmente ao tamanho do “caos”. Explica-se: o perigo ou o inexplicável deixa o homem pequeno e ele busca um ser superior como proteção.

Casulo e liberdade

     Para ir ao extremo da transcendência, falo de um tema tabu na nossa sociedade. Usando uma metáfora, ao sairmos do casulo final, a morte, nos transformamos em borboletas gigantes e coloridas para fazermos a mais fascinante de todas as viagens. Destino? Eterno e inesquecível encontro com o Criador, Suas criações, e reencontros super especiais; no meu caso, com meu papai, meus nove irmãos promovidos a anjos quando ainda eram bebês. E faremos uma festa celestial. Eis uma bela razão para sorrir e até assustar a morte. Precisamos dosar a forma como a vemos, afinal é um encontro inevitável. Ela não nos separa. O que nos separa é o ego, filho do orgulho. O medo nos distancia da verdade e, em geral, destroi nossa sanidade. Que possamos ser na vida das pessoas o que uma mãe é ao abraçar um filho que chora com medo do bicho-papão, e ainda canta uma canção de ninar. Somos crianças assustadas pelo desconhecido. Mas no maior mistério da humanidade, acordaremos “trancendentes” no colo do Pai, rodeado de familia e amigos, e, finalmente, descobriremos que o medo da morte foi apenas um “bullying” de algumas pessoas “ignorantes”.

Efêmero e eterno

     A morte é a principal fonte de vida; é ela que nos faz contar o tique-taque do tempo. Se fóssemos eternos, “morreríamos” inertes. Não teríamos razão para correr e, talvez, eu e você não fóssemos plantadores de sonhos. O sabor da vida, entenda-se muito bem, não está na morte, mas na consciência que ela existe. O medo dela é proporcional a nossa ociosidade. A maior tristeza humana é perceber que estamos passando pela vida. Construa mais, ame mais, doe mais, perdoe mais, agradeça mais, escute mais, respeite mais, aprenda mais, viaje mais, julgue muito menos e viva muito mais.

     Na minha “maratona”, quando adolescente, com o sonho de ajudar meus amados pais, eu trabalhava e estudava muito, incluindo sábados e domingos. Um dia, um amigo me olhou e disse: “Puxa Claudemir, você vive como se fosse morrer amanhã!”; com um sorriso, lhe respondi: “interessante. E você vive como se nunca fosse morrer!”; quem vive mais intensamente? O mortal (eu) ou o imortal (meu amigo)? O significado da vida está nas ações realizadas durante nossa existência. Uma missão de vida bem cumprida soa como música aos ouvidos da temida morte. Ela chega a esboçar um sorriso. Eis a conquista inesperada. É nessa missão cumprida que a transformamos em vida. A morte não tolera “blá-blá-blá”, “ien-ien-ien”, maldade e ociosidade; por isso, ela só deveria amendrontar quem está nesse estágio! Uma missão de vida bem cumprida (não precisa ser perfeita) é o visto de entrada para o paraíso, em primeira classe, com serviço de bordo angelical! Mas, primeiro, precisamos preparar um caminho que nos leve à felicidade. O pavimento é feito com algumas matérias-primas que são misturadas no coração: doação, perdão, gratidão, ação (artéria “bombeadora” principal).

     O materialismo exagerado é um empecilho à transcendência, mas quando bem equilibrado funciona como outra pequena artéria no caminho da felicidade. 

Estaca e Poste

     Somos mais que resilientes; quando a vida nos dobra até o limite, em vez de voltarmos à estaca zero, somos lançados para um novo horizonte. A “dificuldade” no casulo é recompensada pela liberdade e o cenário colorido dos jardins, cachoeiras e uma visão do alto das montanhas e florestas. Quem anda para trás é caranguejo (desistência); quem fica parado é poste (resiliência); quem evolui é ser humano (transcendência).

     Termino com um sabor doce. Transcendência é como cana que se transforma em caldo. Ela é esmagada inúmeras vezes para que sua última gotinha seja extraída. Pacientemente, ela aguenta quietinha, sem reclamar, e o resultado é um caldo de cana branquinho esverdeado como a pureza da alma. Nem mesmo o limão tira sua doçura. Tem uma espuma suave e doce como a vida. Tão doce que costumamos passar a língua de um lado para o outro para não perder o pouquinho que “gruda” nos lábios. A vida é assim: precisamos “lamber” cada gotinha doce, ou até amarga, que ela nos apresenta. Como o caldo da vida tem prazo de validade, saboreá-lo cada milésimo de segundo é o segredo. A Psicologia Positiva é o pastel que falta para esse cenário! Que sua vida seja, hoje e sempre, doce!

 

 

 
 

*É presidente do Seeds of Dreams Institute, jornalista, pós-graduado em Marketing (ESPM) e Comunicação (ESPM), mestrado e doutorando em Psicoterapia (EUA), com foco em Psicologia Positiva. É membro vitalício da Harvard University e referência internacional em Psicologia Positiva. Vive em Orlando desde 2000. Contato:www.seedsofdreams.org 

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Comments

  1. Claudemir,
    Você transcende nossas expectativas. É um orgulho saber que um cidadão brasileiro cumpre de forma tão exemplar sua missão! Que a energia do cosmos esteja sempre ao seu lado.

    • Maria Lucia,
      3 da manhã em Orlando. 4 da manhã em Belo Horizonte. O que dizer de seu comentário? Apenas dizer que sou grato por ter você como amiga, leitora de meus textos. As vezes durmo tarde, apenas buscando a palavra certa para o artigo certo. Obrigado por essa mensagem e vamos dormir… risos…
      Abraços e sucesso!
      Claudemir

  2. Sirlon Moraes says:

    Saudações Claudemir.
    Quanto a matéria Resiliência ou Transcendência, venho parabenizá-lo pelo enfoque das passagens sobre a Vida, nascer,viver e morrer, só que não morremos como você mesmo diz e sim transcendemos, acredito fielmente quanto a isso.
    Obrigado por receber seus artigos e comentários.
    Fique com Deus e na Paz de seu Coração.
    Um amigo abraço.
    Sirlon Moraes – São Paulo – Brasil

    • Sirlon, obrigado pela mensagem… eu usei a palavra “morte” de propósito no texto e a razão é simples: tabu… precisamos falar mais sobre o tema no sentido de saber que é algo normal, algo do cotidiano… muito obrigado pelo comentário… abraços, Claudemir

  3. Soraya Regadas says:

    Claudemir, sei não! cada vez mais fico deslumbrada com seus artigos.Dessa vez você com certeza estava inspirado e foi usado por um anjo de DEUS para transcrever sentimentos profundos e nobres.Tiro meu chapeu tantas vezes for necessário para você.

  4. Yara says:

    A porta azul me fez lembrar de uma certa casa, em uma pequena cidade do interior do nordeste, onde, quem sabe, a dor do primeiro sonho frustrado ajudou a construir a ponte que levou ao novo horizonte.

    • Yara, sensibilidade é algo raro no mundo corrido de hoje… em duas linhas você falou mais que o artigo inteiro, pois você como escritora sabe que textos são todos autobiográficos… um abraço e muito obrigado por sempre ler meus textos.. um abraço e obrigado mais uma vez

  5. Solange Boeta says:

    Claudemir meu querido amigo.
    Parabéns mais uma vez pelo seu excelente trabalho, um trabalho feito com muito amor e poesia.
    A transcendencia deste seu trabalho, me traz `a lembrança de que posso ter esperança.
    Um grande abraço.

    • Solange, esperança sempre… a esperança é como o combustível que tanto precisamos quando estamos em dificuldade… a vida é bela quando a encaramos dessa forma… obrigado pelo seu tempo e comentário… abraços,
      Claudemir

  6. Lucia says:

    Valdemir
    Obrigada por me incluir em sua lista. Adorei o tema, principalmente por se falara em coisas POSITIVAS. Tudo que nós precisamos ser no dia-a-dia. Seu texto é de extrema sensibilidade e fundamento. Adorei.Parabéns! Abs Lucia Lima

  7. ROSANA says:

    Claudemir, acho que vc sabe não é mesmo, vc tem inspiração divina!!! Que Deus continue te iluminando!!!
    Abraços!!!!

  8. Adilson Valera says:

    Amigo Claudemir, dificil comentar a profundidade deste texto, o que temos e’que degusta-lo, saborea-lo e coloca-lo em pratica todos os segundos de nossa curta existencia, Parabens !!
    Adilson – Cuiaba/Mato Grosso _

    • Adilson,
      Obrigado pelas palavras. Você que acompanha meus artigos sabe que nos últimos tenho trazido muita sabedoria que aprendi com pessoas como você ai no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Voltarei em breve… muito obrigado mesmo!
      Claudemir

  9. Helio Basilio Junior says:

    Claudemir. no final deste video voce escreve ” Obrigado por seu tempo ” nós é que agradecemos esta mensagem, com poder de reflexão. Muito bom.

    • Hélio
      Que prazer tê-lo aqui comigo dividindo conhecimentos. Agradeço sua mensagem e estou aqui produzindo mais textos para reflexão para um mundo melhor.
      Abraço forte.
      Claudemir
      P.S. Precisamos marcar aquele jogo de tênis já que estão aqui em Orlando…

  10. Suani Souza says:

    Também acredito que não devemos ser resilientes e sim transcendentes, pois, muitas vezes, mesmo não entendendo porque passamos por uma determinada situação ( até nos revoltamos) sempre saimos dela mais fortes. Transcendemos.
    Adoro caldo de cana!!

    • Suani,
      É isso mesmo… e você gosta de pastel também? Óbvio que quando escrevi o artigo pensei nas pessoas que não gostam de caldo de cana, mas o importante é a mensagem… um abraço forte e tudo de bom…
      Claudemir

  11. Lindo Claudemir! A alma esculpida é uma ponte para o divino! Eu não poderia afirmar, mas acredito que tenha sido “Carroll Shelby” que disse uma vez que apesar dos seus vários problemas de saúde,inclusive tendo feito transplantes, não podia morrer, afinal ele tinha “por dia” inúmeras ideias que queria concretizar. Achei interessante tal raciocínio, a vontade de criar no caso dele, parece prolongar a sua vida. Seria então a morte é a principal fonte de vida. Parabéns mais uma vez meu amigo!

    • Luiz, você falou tudo através da Carroll Shelby. É o sonho que nos mantém vivo… outro exemplo, eu cito no artigo: Viktor Frankl… um cara fantástico e um dos meus pscicólogos favoritos… ele criou a logoterapia, terapia através do significado da vida… obrigado e valeu,
      Claudemir

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