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Psicologia Positiva e Sonhos


Claudemir Oliveira*

   PSICOLOGIA POSITIVA E SONHOS

     Na coluna de Julho, lançei em primeira mão, neste jornal, o grande sonho de lançar no meio acadêmico e profissional um novo tipo de terapia baseada em minhas experiências pessoais e profissionais. É algo que já estudava há mais de dez anos e que finalmente coloquei em prática, e a chamei de “Pay it Forward Therapy”. Recebi inúmeros e-mails  de leitores fascinados pela idéia e contando exemplos da vida real onde eles colocaram em prática a caridade e perceberam os efeitos positivos dessas ações.

Devido ao espaço, não pude me alongar sobre o meu conceito, mas gostaria de acrescentar algo mais neste mês. Já existem inúmeros estudos acadêmcios que comprovam o valor da caridade em terapias, especialmente em pessoas com doenças crônicas, problemas com drogas e por aí segue. Então, não estou reinventando a roda, afinal existe um ditado interessante que diz que “não há nada de novo embaixo do sol”. No entando, estou acrescentando, melhorando o que já existe e isto é salutar. O grande diferencial está no fato do psicoterapeuta (eu) e o cliente, que não pode pagar por terapia, fazerem um trabalho VOLUNTÁRIO. Então, você vai encontrar terapeutas que já pedem para os clientes fazerem algum tipo de trabalho voluntário, mas sem as “exigências” que a minha modesta teoria pede. Além de meu trabalho ser grátis, todas as sessões são desenvolvidas, quase que na sua totalidade, nas experiências dos clientes durante esses trabalhos voluntários. O fato de o cliente saber que o psicoterapeuta também está fazendo um trabalho voluntário é outro diferencial que soma no processo da cura do mesmo. Ele sabe que alguém se interessa por ele, quer o bem dele.  Algo que pensei entre a última coluna e esta foi acrescentar uma outra idéia. No filme, o tema é que, para cada pessoa que você ajuda, você pede para que ele ou ela ajude a mais três pessoas e passe adiante. No caso do meu conceito, o cliente vai falar deste modelo de terapia para outras três pessoas que não precisa ser necessariamente a que eles estão ajudando. Há outros fatores que vou incorporando pouco a pouco, mas acho que devido ao espaço vou ficar apenas com estes descritos até agora. Abaixo descrevo várias experiências que tive desde garoto que já me indicavam que eu iria me apaixonar pela Psicologia Positiva no futuro.

Correr contra o tempo

     Quando eu tinha meus 13 anos de idade, vi uma cena que transformaria toda minha vida. Até os dias de hoje, nada me impactou tanto. Sentados numa mesinha, no canto da cozinha, vi meus pais preocupados com alguma coisa que, a princípio, não sabia bem o que era. Não levou muito tempo para descobrir que se tratava de contas a pagar no final do mês. Ainda lembro, como se fosse hoje, meu amado pai passando a mão pela cabeça. Nascia ali o sonho de ajudá-los a resolver aqueles cálculos. Ali, o menino Claudemir virava homem da noite pro dia. Nunca fui bom em matemática, mas sabia que minha determinação poderia modificar aquela história. Todos os dias, ao sair de casa, ali na rua Lagoa Azul, 288, casa 1, bairro do Limão, em São Paulo, ao me aproximar do portão, eu olhava para trás e num sorriso dizia para meu amado e inesquecível pai: tudo vai dar certo. Mal sabia que mesmo sem saber o que era Psicologia Positiva, eu iria precisar, e muito, dela. Hoje, com 45 anos de idade, lembro-me bem que tinha dentro de mim um outro Claudemir (talvez minha consciência) que “conversava” comigo tentando me ajudar a encontrar as fórmulas para resolver aquelas equações de contas a pagar. Através de nosso diálogo, cheguei a algumas conclusões. A mais importante delas foi saber que eu precisava dar foco a minha educação para poder vencer na vida e, como consequência, ajudar meus pais. Até aí, tudo corria bem, mas o Claudemir número dois me deu a melhor lição de toda minha vida. Ele primeiro me perguntou o que significaria para mim vencer na vida sem ter meus pais por perto. Minha resposta foi rápida, clara e muito segura: “não teria o menor sentido, afinal a razão de meus esforços seria para eles”. Então, ele me deu o ultimo conselho e saiu de cena e deixou o “show” em minhas mãos, literalmente:

– Claudemir, você é jovem, tem apenas 13 anos, muita determinação e vai, com certeza, vencer na vida, mas se você quiser que o sonho seja completo, você precisa CORRER CONTRA O TEMPO. Você tem todo o tempo do mundo, mas seus pais já tem uma certa idade. Corra, menino, corra, corra e corra…

Fazia todo o sentido do mundo o conselho e não tinha como fugir daquela difícil realidade. Não tinha escolha e não queria arrumar desculpas. Então, decidi correr contra o tempo para chegar antes na linha do tempo e ajudar meus amados pais. Era “office-boy”, na época, ali na rua Conselheiro Brotero, 1057, em Higienópolis. No meu livro que devo publicar em breve conto mais detalhes das estratégias que criei para chegar ao meu tão sonhado destino de ajudar o seu José Cícero, meu adorável pai,  e a dona Duda, minha amada mãe. Basicamente, estava certo quando vi na educação minha única saída. Nunca parei de estudar desde aquela época até hoje e já decidi que morrerei estudando. Através do sonho de ajudar meus pais, descobri que a educação é o único investimento que ninguém pode retirar de você. O segredo está em escolher estudar o que você gosta e isso, quando você quer, os anjos se encarregam de mostrar o caminho através das experiências.

Efeito Borboleta

     Aquela cena foi como o que chamo de efeito borboleta, onde algo pequeno (uma cena) pode transformar toda uma vida. Todos nós temos esses momentos. É só buscar no fundo do baú que você vai ver quantas experiências desse tipo você já teve. São momentos mágicos que transformam nossas vidas. Essas experiências exigiram de mim muita resiliência, muita determinação para derrubar qualquer obstáculo que aparecesse na minha frente. Ter sido positivo nos momentos cruciais dessa longa caminhada foi decisivo para o que posso chamar de vitória. Nos momentos mais duros, busquei forças na imagem do sonho de ver meus pais felizes, não apenas no sentido financeiro da coisa. Mas tudo começou por esse fator econômico. Espero que você sempre honre seu pai e sua mãe, pois eles são responsáveis pela sua vida. Muita Psicologia Positiva para todos e até a próxima! 

* É presidente do Seeds of Dreams Institute, jornalista, pós-graduado em Marketing (ESPM) e Comunicação (ESPM), mestrado e doutorando em Psicoterapia (EUA), com foco em Psicologia Positiva. É membro vitalício da Harvard University e referência internacional em Psicologia Positiva. Vive em Orlando desde 2000. Contato: www.seedsofdreams.org 

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