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Psicologia Positiva e Caridade: Pay it forward therapy


 

   PSICOLOGIA POSITIVA E CARIDADE

     Hoje, oficialmente, planto a semente de um grande sonho na área de psicoterapia, na área de Psicologia Positiva, foco de meu mestrado e doutorado.

 “Pay It Forward”

     Há uns dez anos, quando mudei para Orlando, Flórida, costumava (e ainda costumo) receber visitas de amigos. Estava solteiro e era uma forma de não sentir tantas saudades do Brasil e de minha família. Num desses finais de semana tão especiais, recebi o Milton e a Flávia. Durante o encontro, falava da alegria de estar vivendo nos Estados Unidos e da relação com a família que tinha deixado no Brasil. A medida que contava um pouco da minha história, a Flávia começou a usar uma expressão em inglês que, até então, eu nunca havia escutado: pay it forward! Mais uma história, lá vinha a Flávia com o mesmo comentário: Claudemir, Pay it Forward. Fui deixando passar sem pedir nenhuma explicação. Mas lá pela meia noite, eu acho que a frase já havia sido repetida dezenas de vezes. Pedi para me explicar porque estava usando aquela expressão em inglês e confessei que não sabia o real significado. A Flávia, surpresa, me perguntou:

– Claudemir, você ainda não assistiu a esse filme?

Minha resposta foi negativa. Até pensei que ela iria me contar a história, mas já era madrugada da segunda-feira. Então, disse que eu não poderia deixar de ver o filme o mais breve possível. A única informação que ela me deu a respeito foi que o ator principal era um menino, o mesmo que tinha feito o “Sexto Sentido” (Haley Joel Osment). Fiquei com aquilo na cabeça quase toda a noite, tentando relacionar minha história com o filme que não tinha visto ainda.

Coincidência?

     Segunda-feira cedo, cheguei ao escritório e liguei para saber como minha mãe estava. Quem atendeu foi minha irmã Cleide e, antes que eu falasse qualquer coisa, ela disse:

– Mi, pensamos muito em você ontem a noite!

Cleide continuou dizendo que haviam visto um filme que tinha muito a ver comigo, com minha forma de ser. Óbvio que nesse momento, não tive como não pensar na noite anterior e na frase que a Flávia repetia o tempo todo. Minha irmã seguiu dizendo que era uma história linda, etc e tal. Já inquieto e muito curioso perguntei o nome do filme. Ela me respondeu: “Corrente do Bem”. Até aí, eu continuava sem entender porque ainda não conectava “Pay It Forward” com o que minha irmã acabava de falar. Então, antes de eu fazer qualquer outra pergunta, minha irmã complementou:

– É um filme com aquele menino do “Sexto Sentido”!

Fiquei parado, sem saber o que falar, pois não acreditava em tamanha “coincidência”. Era mais uma das muitas provas que tenho de que nossa energia, especialmente a positiva, pode estar presente no cosmos, ao mesmo tempo.

Caridade e terapia

     Eu precisava contar toda essa história para explicar o conceito que passo a explicar abaixo.

Há dez anos, quando comecei meu mestrado nos Estados Unidos, tive o sonho de um dia contribuir com o crescimento humano em forma de trabalho voluntário de minha parte, sem nenhum custo para o cliente que não poderia pagar por terapia. Foi durante essa fase também que descobri o poder da Psicologia Positiva.  Fui amadurecendo ainda mais a idéia durante o doutorado que comecei em 2006. Dei o nome aqui nos Estados Unidos de “Pay It Forward Therapy”. O filme narra a história de um menino que quer ajudar três pessoas (sua mãe, seu professor e um mendigo) praticando o bem, pedindo que elas façam o mesmo por três outras pessoas e assim por diante. Daí, a tradução do filme, no Brazil, como “Corrente do Bem”.

Minha idéia difere em vários aspectos do filme. Apenas usei o nome pela “coincidência” da minha experiência pessoal. De forma simplista, sem nenhum rigor científico (ainda), abaixo descrevo algumas características do conceito.

Psicoterapia Grátis

     Para cada hora de psicoterapia que faça gratuitamente para pessoas sem condições financeiras, meu cliente terá que prestar, no mínimo, o mesmo tempo em serviço voluntário e, entre algumas idéias, ele ou ela pode visitar um asilo, um hospital, centro de doação de sangue, hospício, etc. A condição básica para a próxima visita comigo é ter feito sua lição de casa.

Outro objetivo é “esmiuçar” a experiência do cliente quando voltar ao meu consultório. Ouso ainda dizer que quanto mais profunda for a experiência voluntária, maiores serão os benefícios. O que quero dizer com “profunda experiência” tem a ver com o nível de sofrimento dos que receberão a caridade. Como exemplo, alguém que prefere visitar um centro de pacientes com doenças mentais poderá ser mais beneficiado que outras que tenham visitado um hospital tradicional. Muitas vezes, o choque com a dura realidade pode mostrar o real tamanho do problema que temos. Em linguagem popular, é o momento em que se percebe que uma tempestade pode ter sido feita num copo de água. O meu raciocínio é baseado em algumas experiências pessoais e em observação de alguns clientes e amigos. Saliento que minha idéia jamais subestima o sofrimento que as pessoas estão passando, sejam eles “pequenos” ou “grandes”. Tudo depende de como os enxergamos. O lado “emocional” é, talvez, o maior vilão do seu estado psicológico. Apenas abro espaço para reflexão e “racionalização” do processo.  Repito, estou apenas lançando idéias e pensamentos que no futuro poderão ter valor científico nos termos colocados aqui.

As visitas servirão como base para compararem o que estão vivendo e refletirem sobre suas inquietudes psicológicas. Além disso, será necessário intenso preparo cognitivo para que pratiquem o que aprenderem nas sessões terapêuticas e nas visitas voluntárias. Quanto mais horas praticarem de caridade, menos necessitarão do psicoterapeuta. Meu papel diminui a medida que o cliente “engata” o conceito e o PRATICA. Isso, óbvio, é meu MAIOR objetivo, pois assim abro espaço na agenda para ajudar mais pessoas gratuitamente.

Acredito que a caridade aplicada nesse conceito diminui o TEMPO de tratamento de forma significativa, diminui a dependência química dos remédios (de alguns clientes) e ainda desenvolve a parte cognitiva das pessoas, cuidando, assim, da alma, do corpo e da mente.

Vejo, claramente, que a Psicologia Positiva (principalmente o tema da gratidão), de Martin Seligman, o “Existencialismo” de Viktor Frankl, assim como terapias cognitivas serão de extrema importância para o desenvolvimento dessa terapia. Prezado leitor, quando você achar que tem algum grande problema, siga minha simples teoria e você vai ver os resultados na prática. Um mês de muita caridade e Psicologia Positiva para você!

* É presidente do Seeds of Dreams Institute, jornalista, pós-graduado em Marketing (ESPM) e Comunicação (ESPM), mestrado e doutorando em Psicoterapia (EUA), com foco em Psicologia Positiva. É membro vitalício da Harvard University e referência internacional em Psicologia Positiva. Vive em Orlando desde 2000. Contato: www.seedsofdreams.org 

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