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Psicologia Positiva e Consultoria


Claudemir Oliveira*

    PSICOLOGIA POSITIVA E CONSULTORIA 

      Durante minhas palestras as perguntas mais frequentes são relacionadas às diferenças entre psicologia positiva e motivação ou autoestima, e também percebo muita curiosidade em como usar essa nova ciência para as pessoas, para o mundo corporativo e, mais especificamente, para a consultoria.

A resposta à primeira pergunta é até fácil e simples. A psicologia positiva é considerada uma ciência enquanto palavras como “autoestima”, “motivação” não possuem valor científico. Diria que sao “opiniões”. Isso não quer dizer que não tenham eficácia.

Potencialidade

     A segunda pergunta é como aplicamos a psicologia positiva nas pessoas. Quando estou com meus pacientes (confesso que não gosto dessa palavra, mas assim é usada no meio médico e psicológico no Brasil) no consultório, todo o foco da terapia é identificar potencialidades. A psicologia tradicional não tem o mesmo enfoque, já que, em geral, está baseada nos problemas, nos distúrbios psicológicos, etc. Outra coisa que tem de ficar bem clara é que psicologia positiva também aborda os problemas e reconhece valores no sofrimento e até em algumas fraquezas do ser humano. Não somos tão inocentes em achar que a vida é só um mar de rosas. Também não fazemos festas num domingo só porque caiu o maior temporal. Apenas, temos uma forma diferente de enxergar o mundo. Ao cair a chuva, conseguimos dar um foco diferente, mais positivo. Comecamos a pensar na “alegria” e “saúde” das plantas, das flores, das frutas, dos rios e por aí vai. É uma opção de vida enxergar o copo muito mais cheio que vazio. Então, psicologia positiva tem muito a ver com atitude, como reagimos às coisas do dia a dia.

Consultoria

     A última pergunta tem a ver com as corporações. Eu parto do princípio de que uma empresa não existe sem as pessoas. Se elas não estão bem psicologicamente, as empresas também não vão estar bem. Eu costumo dizer que o momento crucial está na contratação. Ali, deve-se separar o joio do trigo. Como se faz isso? Só ligando para o Seeds of Dreams Institute (risos). Se errar nesse momento, o preço vai ser bem caro lá na frente. Criar um ambiente saudável para as pessoas vai gerar uma empresa “saudável” em todos os níveis.

No plano pessoal, um paciente, quando vai a um psicoterapeuta, está em busca de encontrar soluções  para seus problemas. O psicoterapeuta escuta, escuta, analisa, escuta e trabalha com a pessoa no sentido de encontrar respostas.

No plano corporativo, um cliente, quando vai a um consultor, está em busca de encontrar soluções para seus problemas. Estou usando as mesmas palavras para enfatizar as semelhanças. O consultor escuta, escuta, analisa, escuta e trabalha com o cliente no sentido de encontrar as respostas.

Pós-modernismo

     O processo é bem parecido. O foco da minha empresa tem dois fatores fundamentais. Adoto uma postura que chamamos no mundo acadêmico de pós-modernismo, onde consideramos o cliente, o paciente como “expert” dos problemas deles. Preferimos usar a palavra “colaborador” em vez de “especialista”. Respeitamos e sabemos que o cliente e/ou paciente tem sabedoria para resolver seus próprios “distúrbios”. Um dos maiores educadores pós-modernistas do mundo se chama Paulo Freire, referenciado em várias partes do mundo. Não tenho vergonha de dizer que o descobri numa situação constrangedora. Estava fazendo um curso de 3 dias na Harvard sobre psicologia positiva, e, na sala, ao mencionar que era brasileiro, me disseram: “wow, terra do Paulo Freire”. Dei um sorriso amarelo porque não tinha condições de falar muito sobre sua obra.

Existe uma história fascinante que prova que cada um é “expert” em alguma coisa. Que devemos respeitar as “sabedorias” individuais. O mestre aprende com o aluno. O aluno aprende com o mestre. Isto é pós-modernismo de uma forma bem simplificada. Aqui vai a história. Havia um pescador que, além de pescar,  usava seu barco para atravessar pessoas de um canto do rio até a margem do outro lado. Desta vez, estava levando uma advogada e um professor. Naquele silêncio, o professor decidiu perguntar:

– O senhor estudou seu João?

– Nao sei nem ler, nem escrever…

O professor então comentou que era uma pena, pois ele tinha perdido metade da vida, assumindo que uma pessoa sem estudo não vale muito. O barco seguia até que a advogada perguntou:

– Seu João, o senhor entende de leis?

A resposta mais uma vez foi negativa. A advogada, então, complementou dizendo que era uma pena que ele não entendesse de leis. Era como se seu João tivesse perdido metade da vida. O barco seguiu e, minutos depois, uma tempestade aconteceu e, com o vento muito forte, o barco estava bem próximo de virar e afundar. O pescador, então, perguntou:

– Vocês sabem nadar?

Humildade na gestão

     Por questão de espaço, nem preciso fazer mais comentários, mas apenas uma indagação. O que é sabedoria? Do ponto de vista pós-modernista é algo subjetivo, é algo individual, cada um sabe muito sobre alguma coisa. Humildade de reconhecer essa realidade é vital no processo de aprendizado. Gestores NÃO são mais sábios ou inteligentes que colaboradores e vice-versa. Um presidente não deveria menosprezar (mas “inconscientemente” menospreza) a sabedoria de cada colaborador nas diferentes áreas da empresa. Aliás, escutar esses sábios é ignorado por uma avassaladora maioria de gestores. Nas consultorias que faco, resolvo 90% dos “problemas” simplesmente por escutar TODOS da empresa. Basear uma consultoria somente nos gestores (o que acontece na maioria das vezes) é um erro elementar cometido por muitos. Cada ser humano tem uma história para contar. A arte está em querer escutá-la! Há dez anos plantei esse sonho de aprender a escutar, quando decidi fazer um mestrado em psicoterapia (foco psicologia positiva) e agora quase terminando meu sonhado doutorado. Qual é a sua história, querido leitor? Eu adoraria conhecê-la! O seu João, a dona Maria, o “office-boy”, o porteiro podem dar aulas a qualquer presidente sobre o que eles fazem. Sabe porque eles não dão essas aulas? Porque o orgulho do “gestor todo poderoso”, o “sabe-tudo”, não deixa que eles nem abram a boca. Humildade no mundo corporativo é raro. Raríssimo. O poder enxerga níveis de hierarquia. A humildade consegue enxergar os níveis E TAMBÉM consegue falar a linguagem de todos. Humildade, em gestão, atinge, primeiro, o coração e, em seguida, a mente. Se não estou enganado, durante nossa gestação, o coração é formado primeiro. Somente DEPOIS, forma-se a mente. Nada, absolutamente nada entendo de genética, mas esse fato me comprova que na lista de prioridades da nossa criação, o próprio Criador deu ordens para tocar primeiro no coração. Isso não te diz nada? Pense. Reflita. Faça!

Queridos leitores, pensaram que iria fugir do asssunto? Não, pois a historinha foi apenas para justificar meu ponto.      Muita gente diz que consultor é aquele cara que vai para empresa, diz o que todo mundo já sabe e ainda é pago para isso. Essa é metade da verdade. A outra metade é o que chamo de neutralidade que traz todo um lado racional para o processo. Essa neutralidade faz com que o consultor veja muito mais do que quem está dentro do processo. É como se a empresa visse um ângulo da sala do escritório por vez. O consultor olha essa mesma sala de cima, vendo todos os ângulos ao mesmo tempo.

Por último, defino minha consultoria como um trabalho colaborativo entre as várias áreas da empresa, onde o foco geral são os pontos fortes e, naturalmente, observando áreas que podem ter melhor desempenho. Aos gestores (professores), um conselho de graça nesta coluna: aprenda com seus colaboradores (alunos). Ótimo mês, muita psicologia positiva e muito $UCE$$O! 

* É jornalista, pós-graduado em Marketing (ESPM) e Comunicação (ESPM), mestrado em Psicoterapia (Stetson University) e doutorando (Barry University) na mesma área com foco em Psicologia Positiva. Claudemir atende no Kratochvil Health Kare e The Welness Institute. Por favor, envie sua mensagem para claudemir@seedsofdreams.org 

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