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Felicidade e Longevidade


PSICOLOGIA POSITIVA   

Claudemir Oliveira*

FELICIDADE E LONGEVIDADE

     Um tema que sempre surge no mundo acadêmico é a relação entre viver bem, viver muito e a felicidade. Até que ponto ser feliz prolonga a vida de uma pessoa? Um professor da Rotterdam’s Erasmus University, Ruut Veenhoven, analisou mais de 30 estudos conduzidos pelo mundo e os resultados mostram que as pessoas felizes vivem em média de 7.5 a 10 anos a mais. Ele enfatiza que a felicidade não cura, mas ela protege contra as doenças, ou seja, tem uma característica preventiva. Outro fato interessante é que a riqueza material em pouco eleva a felicidade de uma pessoa. Isso acontece por um tempo mais curto que imaginamos. No meu doutorado, estou usando a terminologia “adaptação” para explicar o fenômeno. Aqui algumas provas. Imagine que você tem uma televisão pequena e que seu sonho é comprar uma gigante. Quando consegue comprá-la, o que acontece no primeiro dia? Você fica maravilhado, não é mesmo? O que acontece na primeira semana? Ainda maravilhado, não é verdade? E o que acontece após um mês? E após um ano? Você vai se “adaptar” a nova realidade e praticamente nem pensa mais na comparação com a pequena. Isso passa a fazer parte do seu dia a dia e vira rotina. Lembra-se daquele aumento de salário? O mesmo processo vai acontecer. Não estou dizendo que dinheiro não é bom. O que estou dizendo é que ele não é a razão principal da sua felicidade. Muito pelo contrário, sua participação no processo é infinitamente menor do que você imagina. O que estou relatando não é uma opinião ou um “eu acho”, mas ciência, e minha pesquisa é baseada em duas instituições que dispensam apresentação: Universidade da Pensilvânia e Harvard, celeiros da psicologia positiva.

     Abaixo, focarei mais no lado genético e nutricional da questão, e muitos dos dados saíram na última edição da revista “Time” de 22 de fevereiro.

Homens e mulheres

     Estudos mostram que as mulheres vivem mais que os homens, o que não chega a ser nenhuma grande novidade. O mesmo é verdade para muitos mamíferos. O fator longevidade parece estar conectado com o genoma feminino e também com a questão de tamanho. Pesquisas feitas com camundongos relatam que os menores vivem mais que os maiores. No mundo natural, os machos crescem muito mais que as fêmeas como um processo de melhorar a qualidade de procriação. Esse “investimento”, no entanto, pode afetar seu metabolismo e limitar sua longevidade. Usando psicologia positiva, caso você seja uma baixinha ou um baixinho, ai está uma ótima razão para comemorar. Se alguém tentar zombar de você, diga que você vai rir por último.

     Apesar de esses dados mostrarem uma ligeira vantagem para as mulheres, o fato é que ambos os sexos continuarão vivendo mais tempo. Como comparação, em 1950, 14 milhões de pessoas tinham mais de 80 anos; esse número subiu para 101 milhões em 2009 e a tendência é chegar a 395 milhões em 2050. Além de melhor conhecimento da parte genética e alimentar, algumas drogas estão sendo estudadas e essa combinação pode levar o ser humano aos seus 150 anos de idade no futuro. Alguns cientistas encontraram alguns compostos na uva e amendoim que podem ajudar nesse processo de longevidade.

     Sabe-se que os genes são extremamente importantes durante o envelhecimento, mas eles podem não ser o fator mais relevante. De acordo com estudos em animais, apenas 30% estão baseados na genética, o que significa que a maioria das outras variáveis está literalmente em nossas mãos.

     O país campeão em longevidade é Macau (84.4 anos), seguido do Japão (82.1) e Singapura (82.0). O Brasil tem como média 72 anos. O país com o mais baixo índice é Angola, com uma média de 38.2 anos!  

Comendo menos, vivendo mais

     A ideia parece ser um contrassenso. Se comemos para viver, como entender a equação de quase passar fome para adicionar alguns anos as nossas vidas? A verdade é que estudos em animais provam que a redução de calorias aumenta seus anos de vida. Estudiosos estão tentando entender se essa relação também funcionaria com seres humanos. Pesquisadores da Universidade de Wisconsin estão chegando próximos dessa realidade. Eles descobriram que uma redução de calorias em macacos gerou mais anos de vida. Os “famintos” tiveram menos problemas de diabetes, coração e câncer numa proporção bem menor que seus primatas bem alimentados.

    Cientistas desconfiam dessa relação entre redução de calorias com longevidade desde 1935 quando pesquisadores da Universidade Cornell notaram que ratos em dieta viviam duas vezes mais que outros ratos e tinham menos problemas de saúde. Uma teoria explica que um pouquinho de fome deixa o organismo mais resistente às doenças do envelhecimento. Isto poderia ser uma adaptação evolucionária para sobreviver em períodos de escassez. Comer poucas calorias também diminui o metabolismo e alguns dados indicam que humanos vivem mais nessas situações. Quando você faz dieta, você diminui seu colesterol, pressão arterial, diabetes e outros tipos de doenças, o que agrega mais uns aninhos lá na frente.

Mens sana, corpore sano

     Tudo escrito acima não tem sentido se não for vivido com saúde e felicidade. Talvez uma frase latina, mens sana in corpore sano, seja a combinação perfeita para levarmos em conta nessa longa caminhada.

     Para terminar, informo mais dados científicos. Lembre-se que não sou médico e que procure um antes de tentar qualquer besteira (risos). Basicamente, cientistas pedem que diariamente você faça uma atividade física, se exponha por 15 minutos ao sol, se alimente de maneira saudável, durma mais de 7 horas, mantenha a mente ocupada, e que tenha um propósito de vida. Esse último tem tudo a ver com psicologia positiva, pois é através dele que podemos enxergar o lado lindo da vida. Enquanto os cientistas tentam encontrar a fórmula da longevidade, eu já descobri como vou usufruir de todos esses anos extras: vou ser feliz cada dia a mais, porque não teria graça viver de outra forma. Que você, prezado leitor, viva eternamente, e que seja com uma superdose diária de psicologia positiva!

* É jornalista, pós-graduado em Marketing (ESPM) e Comunicação (ESPM), mestrado em Psicoterapia (Stetson University) e doutorando (Barry University) na mesma área com foco em Psicologia Positiva. Claudemir atende no Kratochvil Health Kare e The Welness Institute. Por favor, envie sua mensagem para seeds@seedsofdreams.org 

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