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Ensinando a Pescar


PSICOLOGIA POSITIVA    

Claudemir Oliveira*

ENSINANDO A PESCAR

    Durante o mês de outubro, recebi inúmeros e-mails de leitores interessados em psicologia positiva nas empresas. É simplesmente fantástico perceber que essa nova ciência tem tanto a oferecer às corporações. Meu fascínio pelo tema se deve ao simples fato de ver possibilidades infinitas de mudanças positivas no nosso mundo pessoal e profissional. Sempre que  falo de corporações, empresas, eu, na verdade, estou falando de PESSOAS. Tudo começa com elas (causa) que podem transformar as empresas (conseqüência).

Preparando o terreno

     Se juntos mostramos o caminho para as pessoas serem mais positivas, o resto vem naturalmente. Somos nós os arquitetos de nossas vidas. Somos nós os engenheiros responsáveis pela obra da vida. Se você for religioso, não pense que eu estou tirando Deus da obra. Eu apenas acredito que através de nossa fé e, de muito trabalho, fazemos os milagres. Há muita sabedoria na frase: faz que te ajudarei. Generalizando, as pessoas que recebem milagres, sempre acreditam neles! Precisamos fazer mais; precisamos parar de pedir muito e fazer pouco. Precisamos parar com o que chamo de “bla-bla-bla” ou “hein-hein-hein”. Acho que já falei em colunas anteriores que as pessoas que reclamam (hein-hein-hein) são incompetentes; os que reclamam muito, são muito incompetentes e por aí vai. Precisamos entender que a arte da vida está, primeiro, em DAR, ENTREGAR, DOAR para depois receber. Minha empresa Seeds of Dreams (Sementes de Sonhos) tem uma analogia para exemplificar meus pensamentos. Para termos morangos, a gente, primeiro, planta; depois, a gente trabalha, trabalha, trabalha, e, então, temos a colheita. Não podemos reverter esse processo da lei da natureza. Assim é a nossa bela vida. Quer ser amado? Ame primeiro! Quer ser respeitado? Respeite primeiro!

Gladiador e futebol

     Voltando aos comentários dos leitores sobre a coluna de outubro, gostaria de responder a algumas perguntas feitas sobre liderança no contexto do filme “Gladiador”. Em linhas gerais, uma parte do filme deixa claro que o líder precisa conquistar a multidão, ou, digamos, a massa. Discutindo o assunto com dois leitores, o Rafael e o Batata (para os íntimos), chegamos a conclusão de como isso acontece nos esportes, especialmente no futebol. Quem derruba um técnico? O presidente do clube ou os torcedores, a massa? O presidente pode até ser “oficialmente” quem demite, mas sabemos que o poder da multidão é infinitamente superior. Se analisarmos essa situação com mais profundidade, vamos perceber que existe um outro fator na queda de um técnico: os próprios jogadores. Aqui entro com pura gestão de pessoas e psicologia positiva. Se o técnico for um cavalo, termo que usei na coluna anterior, o dia dele vai chegar. Os colaboradores (jogadores) podem ter o poder de, aos poucos, fazer corpo mole, perder apenas três partidas e o líder (técnico) desaparece de cena. A decisão do jogo, muitas vezes, está nas quatro linhas de campo. A decisão e liderança, muitas vezes, estão nas mãos dos comandados (jogadores). Portanto, aprenda a ser mais doce que duro. Volto a insistir: liderança conquistada ao preço de medo e força não é liderança. Talvez a palavra certa seja ditadura.

     Mas Claudemir, onde está psicologia positiva nos exemplos acima? Em TUDO. Precisamos continuar estudando as pessoas e suas potencialidades. TUDO gira em torno delas. Precisamos entender de pessoas e focar no que elas tem de melhor. Precisamos entender que se os jogadores e torcedores (colaboradores)não estiverem felizes, a coisa pode complicar para os técnicos (líderes).

Lula, um gladiador?

     Ainda sobre o filme, vou dar um exemplo político, apesar de não gostar de entrar nessa área. O presidente Lula, mesmo que não tenha visto o filme, usa exatamente a mesma linha de pensamento. Podemos até discordar dele como presidente, mas ele tem o poder hoje devido à conquista da multidão, da massa. Num país de 190 milhões de habitantes, onde a maioria esmagadora é composta por pobres e uma porção de classe média, suas ações, ditas sociais, tem apenas e tão somente um objetivo: a conquista dessa maioria. Só com o “bolsa-família”, dentro da estratégia governamental do “fome-zero”, ele deixa os críticos (uma minoria dentro dos 190 milhões de habitantes) comendo poeira. Sua popularidade, em nada, é afetada. Sou a favor dessa política? Não necessariamente. Minha filosofia de vida está mais para ENSINAR A PESCAR que dar o peixe. Não acredito que estejamos fazendo isso nesses projetos. Portanto, acredito que o Lula poderia melhorar o que está bom. Aqui, meu argumento principal: e quando ele sair? Se o novo presidente não fizer o mesmo, esse monte de gente vai virar bandido? Vai roubar? Vai assaltar? Vai matar? Esses programas falham por não pensar na dignidade futura dessas pessoas. São “remendos” sociais, longe, muito longe, do que chamamos solução. São “tapa-buracos”, ou melhor, “tapa-bocas”. Na verdade, quem será que precisa mais de ajuda? Quem está doando ou quem está recebendo? Os gladiadores ou os escravos?

“Remendos” sociais

     Eu chamo esses “remendos” sociais de “imediatismo moderno”, onde apagamos um foguinho aqui e o mundo que se exploda depois, de preferência nas próximas eleições. Nosso egoísmo chega ao cúmulo de não pensarmos nas futuras gerações que serão feitas por nossos filhos, netos e bisnetos. Outro dia li algo lindo: feliz do homem que planta uma árvore e sabe que não vai comer os frutos, nem usufruir da sombra da mesma. Ele planta para os outros. Pense nisso da próxima vez que sentar-se embaixo de uma sombra de uma mangueira. Acredito em cavar o poço antes de ter sede. Acredito em dar o peixe e perguntar se essas pessoas podem ajudar a construir casas, escolas, açudes, poços de água para a sobrevivência futura delas. Somente nesse tipo de ação, vamos saber quem são os seres humanos dignos de serem ajudados ou o monte de vagabundos que estão se aproveitando do seu e do meu imposto. Liderança, então,  tem várias formas, como tudo na vida. Precisamos estudar quais são as melhores e como aplicá-las! Precisamos separar o joio do trigo!

     Finalmente, devido ao espaço limitado de uma coluna, sempre há generalizações de minha parte e os exemplos não necessariamente vão refletir a história completa. Numa visão mais pós-modernista, sei que não existe uma verdade única, mas que ela está sempre em construção pelos atores da vida: eu e você, todos nós. Com meu grande respeito pela sua leitura e companhia, aguardo ansiosamente a próxima edição, já em 2010, para continuarmos falando de vida, de psicologia positiva e de liderança. Tenham todos um Feliz Natal, um Feliz Ano Novo e que Papai do Céu esteja protegendo você e sua família cada segundo dos próximos anos. Amem!   

É jornalista, pós-graduado em Marketing (ESPM) e Comunicação (ESPM), mestrado em Psicoterapia(Stetson University) e doutorando (Barry University) na mesma área com foco em Psicologia Positiva. Claudemir atende no Kratochvil Health Kare e The Wellness Institute. Por favor, envie sua mensagem para seeds@seedsofdreams.org

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