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Psicologia Positiva e Chuva


PSICOLOGIA POSITIVA    

Claudemir Oliveira*

    A cada dia que passa me impressiono como psicologia positiva pode fazer a diferença na vida das pessoas e das empresas. Mês passado, estive em Angra dos Reis e Cuiabá e pude perceber o interesse dos participantes. Na coluna de outubro, dei exemplos de como introduzir essa nova ciência nas corporações e recebi inúmeros e-mails dando parabéns pela minha coragem de chamar RH de “Recursos Desumanos”. Salientei que não generalizo, pois sei de empresas que realmente entendem de gente; sei que existem notáveis gestores de RH, mas a mensagem serviu de carapuça para muita gente; ousaria dizer, sem medo de errar, que serviu para uma grande maioria de gestores.

               Um “átomo” da potencialidade humana

     Meu desafio continua no sentido de mostrar que existe um outro caminho, muito mais positivo, para enxergar o ser humano. Estamos vendo apenas um “átomo” da potencialidade humana. Alguns gestores me perguntaram depois de lerem a coluna passada: “Mas Claudemir, se a gente for muito bonzinho com os funcionários, eles abusam”. Minha resposta foi curta e grossa. BALELA. Líder que é líder não tolera “manhas”. Líder que é líder sabe identificar abusos e, nestes casos, coloca o liderado no seu devido lugar, que pode ser, inclusive, o olho da rua para usar uma linguagem popular. Ainda sobre esse tema, fico abismado com liderança que impõe medo às pessoas. NINGUEM produz com medo. Tão simples, não? Pois bem, existem muitos líderes “cavalos” pelo mundo! Liderar com “coice” não faz parte de psicologia positiva e muito menos de filosofia (básica, bem básica)humana. Eu sempre comento nas minhas palestras uma cena do filme Gladiador em que ele recebe um conselho de um sábio: “Conquiste a multidão e serás livre” (Win the crowd and you will have your freedom). A base de qualquer liderança está abaixo, ao lado,  quase nunca acima. São as centenas e milhares de funcionários simples que colocam os líderes no topo. Líderes que não olham para baixo e não respeitam os “pequenos” caem e dificilmente se levantarão. Poder é consequência direta de suporte, de apoio. Usando outra analogia, a estrutura de um edifício está baseada numa coisa chamada alicerce. Aos líderes cavalos, um humilde conselho: o coice unido, daqueles que dão o sangue por você, lhe derrubará cedo ou tarde! Acorde para a vida! Tenha mais respeito por quem tanto trabalha por você! Seja duro, quando for necessário; puna, quando for necessário; mas seja um líder justo e humano e a multidão seguirá. Ou melhor, a multidão os elevará aos mais altos cargos da vida. Isso é liderança. O resto é fofoca, inveja, poder podre e passageiro.

    O parágrafo acima deu seqüência ao tema da coluna passada, psicologia positiva nas empresas. Neste mês, quero dividir uma visão pessoal sobre psicologia positiva.

Chovia muito em Londres…

     Em 2005, minha irmã, que vive em Londres, me ligou e estávamos conversando sobre vários assuntos e, de repente, ela me perguntou:

– Mi, você acha que eu sou “reclamona”?

– Porque você me pergunta?

– É que ontem, antes de sair para jantar com meu marido Allan, eu fiz um comentário negativo só porque estava chovendo muito. Você acha que isso é reclamar ou apenas um comentário negativo?

     Eu, naturalmente, entrei a fundo na questão e afirmei que, apesar de ser um simples comentário, ele era de valor negativo. Eu disse que poderia ajudá-la a ser mais positiva. Ela concordou, mas antes de começar meu “sermão”, eu lhe pedi que me ouvisse e me respondesse todas as perguntas até o final. Começei perguntando o que tinha sido seu café da manhã naquele dia. De cara, ela me perguntou:

– O que tem a ver café da manhã e estar reclamando?

     Minha resposta foi direta. No momento, querida irmã, você concordou em me ouvir, me escutar. Sou eu quem faz perguntas de agora em diante. Pedi para contar detalhes do café da manhã. Contou-me de tal forma que me dava água na boca. Falou do café brasileiro que preparou, falou do bolo de fubá, falou da manteiga holandesa, falou dos diferentes tipo de pães e falou também sobre as frutas e sucos que havia na mesa. Eu comecei pela manteiga.

– Mércia, de onde vem a manteiga?

– Do leite…

– E o leite?

– Da vaca…

– E a vaca come o que?

– Capim, mato…

– E do que precisa o capim, o mato para crescer verdinho?

     Minha irmã começava a entender minha filosofia. Sim, minha amada irmã, a mesma chuva que você ontem “criticava” é a mesma que trouxe a manteiga, o café, o suco, o queijo, o pão… para sua mesa! Aí, como sempre procuro dar a lição completa, eu recomeçei o exercício.

– Agora, Mércia, de onde vem o suco de laranja, por exemplo?

– Eu já entendi, meu irmão, eu já entendi tudo…

– Sim, mas eu não terminei ainda… me diga de onde vem o suco?

     Para resumir a história, eu fiz as mesmas perguntas sobre as maçãs, sobre os diferentes tipos de pães, sobre o café… Todas as perguntas nos levavam a um só caminho, de que a chuva é sagrada, é bela e traz vida. Ai vem a pessoa negativa e pergunta: “Mas Claudemir, como você explica a tragédia das chuvas?” Usando psicologia positiva, aqui vai a resposta: para cada dia de tragédia de chuva, existem nove dias sem tragédia. Acrescento ainda, que a maioria delas ocorrem porque as cidades não se estruturaram adequadamente para enfrentá-las! O dinheiro público virou dinheiro privado no bolso dos políticos corruptos!

Da ignorância à sabedoria: um passinho

     O exemplo da minha irmã prova minha teoria da ignorância sadia, que é a falta de conhecimento sobre algo; daí a importância de nunca assumirmos que as pessoas “deveriam” saber. A comunicação é uma arte! A comunicação transforma a ignorância em sabedoria. Elas simplesmente não sabem e, ao ser explicado, elas entendem. Portanto, querido leitor, se você algum dia reclamou da chuva, lembre-se de mim na próxima vez. Olhe para a chuva e agradeça. Faça como eu fazia quando era criança no nordeste do Brasil, onde as pessoas rezavam para chover. Enquanto alguns rezam para ter, outros pedem para não ter. Eu fico imaginando a cara de Deus diante de nossa ignorância! Você já percebeu que quando chove as plantas ficam dançando? Nem vou colocar entre aspas, porque elas realmente dançam, bailam de alegria. A chuva é o alimento das nossas sementes. Sorria quando chover. Levante as mãos para o céu e corra no meio de tanta água. Se estiver com sede, coloque a língua para fora e sinta o sabor dos pingos caindo sobre a mesma. Eu fazia isso quando criança. Eu adoro chuva porque tudo a ver com sementes de sonhos.

     Uma outra forma de ver a situação: imagine o sertão nordestino, imagine a África, imagine qualquer área do nosso planeta que necessita de água. Pense naqueles que morrem de fome pela falta de chuva. Tente imaginar a alegria de milhões de pessoas que precisam dela. Empatia talvez explique tudo: temos de nos colocar no lugar dos outros para entendermos o quadro completo.

    Um mês cheio de saúde, paz, alegria e muita chuva no seu jardim, no seu pomar! Obrigado por viajar comigo no mundo da psicologia positiva!

  • É jornalista, pós-graduado em Marketing (ESPM) e Comunicação (ESPM), mestrado em Psicoterapia(Stetson University) e doutorando (Barry University) na mesma área com foco em Psicologia Positiva. Claudemir atende no Kratochvil Health Kare e The Wellness Institute. Por favor, envie sua mensagem para seeds@seedsofdreams.org
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Comments

  1. Querido Claudemir…
    Que texto mais maravilhoso! Que exemplos fantásticos!!!!!
    A parte da liderança, realmente, foi uma AULA!!!! Quantos deveriam ter o privilégio de ler e aprender o que é ser um líder, de verdade, entender que liderar não significa escravizar, açoitar, diminuir, humilhar… Ninguém produz nada, meu amigo, debaixo de jugo cruel, muito pelo contrário, isso apenas incita a ira, a raiva e não haverá trabalho que renda nada dessa maneira cruel e perversa…
    A parte da chuva, também foi um presente meu amigo… Chuva, na verdade, significa benção de Deus… Tudo “acontece” devido à ação das chuvas…. Exatamente como você descreveu… Estou lendo esse texto, 14 meses depois de escrito e hoje, Janeiro de 2011, o Brasil enfrenta, em tres Estados, verdadeiras calamidades, “teoricamente”, devido às chuvas… Todavia, é muito mais prático e interessante, culpar a chuva em detrimento da falta de obras e estruturas, que nunca são realizadas devido à astronômica e absurda corrupção dos governos nesse país… Volto a dizer, a chuva é enviada a terra como benção de Deus e nós bem conhecemos, como você sabiamente discorreu para a sua irmã, todos os beneficios dela… Agora, falando em Deus, verdadeiramente, que bom que Ele é longânimo e misericordioso, porque o ser humano não é fácil, não é mesmo!?!
    Costumo sempre dizer que, muitas vezes ao longo da nossa vida, devemos “mudar de lugar”, sair de cena, sentar na platéia e observar, exatamente, o que está acontecendo. Nos colocando no lugar das pessoas, conseguimos enxergar as coisas, exatamente, como elas são e, muitas vezes, nessa condição, passamos de “juízes” a advogados de defesa, e isso, em muitos casos, faz uma grande diferença…
    Devemos ser tardios em julgar e prontos a mudar, a transformar, a ajudar e, por consequência, seremos seres humanos muito melhores, sob os mais variados aspectos dessa vida!
    Um forte abraço para você, com carinho e fique com Deus!
    Tati

    • Tati,
      Incrivel que reli meu artigo e quando vejo o que aconteceu no Rio recemente e o que coloquei há mais de um ano no artigo é incrivel. Clarissima minha ideia de que a chuva é SEMPRE sagrada… o descaso publico é que faz a tragédia….Foi muito legal ver seus comentários… adorei mesmo e foi otimo reler meu proprio artigo, especialmente também quando falo de liderança…
      abraços e obrigado!
      Claudemir

  2. Adriana Arruda Doria says:

    Claudemir, seus textos sempre serao atuais, alem de humanos, sempre.
    Muito legal o comentario da Tatiana

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