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Muito além do jardim


PSICOLOGIA POSITIVA    

Claudemir Oliveira*

     O que o seu jardim tem a ver com psicologia positiva? Muitas coisas. Deixe-me primeiro explicar um pouquinho disso baseado em minha experiência pessoal. Quando cheguei aos Estados Unidos, meu sonho era comprar minha própria casa, o que aconteceu mais rápido do que imaginava. Meu segundo sonho era tomar conta do jardim. Queria aprender como cuidar do meu “paraíso”. Pois bem, eu não tinha idéia do que me esperava. Com o suor, vieram grandes aprendizados que gostaria de dividir com meus prezados leitores.

     Eu não sabia absolutamente nada sobre jardinagem. Nada, absolutamente nada. Comprei os equipamentos e aí minha primeira lição. Entendi porque nos Estados Unidos em geral as pessoas deixam os carros fora da garagem, pois passam a usar esse local para guardar todas as máquinas do jardim. Minha primeira vitória foi conseguir guardar os carros junto com tanta “parafernália”. Agora vamos trabalhar? 

O melhor jardineiro

     Descobri rapidamente que por mais que cuidasse do jardim, sempre havia ervas daninhas. Talvez nem 5% de todo o espaço. 95% continuavam e continuam lindo. Aqui vem a primeira conclusão: você pode ser o melhor jardineiro do mundo e, mesmo assim, será  impossível ter um jardim sem ervas daninhas. O segredo está em como você olha seu paraíso. Você é do tipo de pessoa que ao andar pelo jardim fica “plantado” olhando para uma ou outra erva daninha que aparece na sua frente? Ou você é do tipo que, apesar da presença de algumas delas, admira e aprecia tanta beleza? Se você estiver nesse time, você desfruta de pura psicologia positiva. Você certamente observa as flores, sentindo seu perfume, sua visão se concentra em suas cores, desde a primavera amarela, vermelha ou branca, até, claro, o verde das palmeiras e dos coqueiros. Você não deixa passar a beleza das borboletas em diferente cores, sem contar a presença de alguns pássaros e até um ou outro beija-flor. Quando falo dessas minhas teorias, as pessoas pensam que me esqueço das ervas daninhas. NÃO, NÃO e NÃO. Você deve arrancá-las pela RAIZ. Mas repito, o foco tem de ser no positivo. Meu objetivo é poder aplicar tudo na vida real, no nosso dia-a-dia. O exemplo acima cai como uma luva no meu exemplo clássico das crianças que tiram 9 notas boas e 1 nota ruim. O foco é quase sempre no lado ruim da coisa. Um erro “infantil” que praticamos todos os dias e podemos mudar! Pois bem, a nota ruim é como a erva daninha. Nos dois casos, precisamos olhar e festejar os muitos lados positivos.

     Uma lição que podemos tirar de um jardim é a seguinte: se você quiser borboleta, pássaro e beija-flor presentes em sua casa, primeiro você precisa criar o ambiente, ou seja, precisa trabalhar arduamente para ter flores, plantas e árvores.  Aprendi com a vida, que para receber, a gente precisa primeiro dar, doar. Quer ter um filho bem educado? Seja educado, seja o exemplo. Quer ser amado? Ame primeiro. Quer ser respeitado? Respeite. Nas corporações o mesmo se passa: quer ter funcionários felizes? Crie um local adequado. Como falo no meu livro “Sementes de Sonhos”, o bom jardineiro sabe que para colher, ele precisa, primeiro, plantar e, depois, trabalhar muito que é a parte mais difícil; no entanto, a doçura da conquista está proporcionalmente ligada à dificuldade. Poucos conseguem enxergar isso. Parafraseando Aristóteles, que citei na coluna de julho, até chegar aos nossos sonhos, passamos por caminhos amargos, mas os frutos serão doces.

     Outra coisa que aprendi com meu jardim é como as plantas se parecem com gente. Tinha uma primavera que não crescia. Fazia de tudo e nada. Estava quase morta quando percebi que não limpava em volta da raiz. Bastou uma limpeza, tirando todas as plantinhas em volta e em uma semana a primavera já dava flores. Na nossa vida pessoal, muitas vezes precisamos desse “espaço” limpo. As vezes, temos algumas “ervinhas” ao nosso redor e precisamos tirá-las para podermos crescer. Ficamos sufocados, como as plantas.

     Eu passo uma média de 6 horas por semana cuidando do meu jardim. Planejo minhas viagens internacionais para voltar a tempo de cuidar do que realmente gosto. O interessante de tudo isso é que eu não gostava no começo. Levou tempo para eu entender e ver esse trabalho como prazer. Ainda brinco dizendo que além da minha alegria, queimo muitas calorias, ou seja, cuido do meu corpo ao mesmo tempo que cuido da alma. Afinal, fazer o que se ama é cuidar da alma.

Perguntas terapêuticas

      Recebi várias mensagens e já respondi via e-mail a todos. Tive de escolher uma pergunta para esse mês. A Ana de Fort Lauderdale me pergunta o seguinte: “Claudemir, quando vou a um psiquiatra não entendo porque a consulta é tão rápida. Não leva 10, 15 minutos e me passam um remédio e pronto. Não tenho tempo de me expressar, falar o que estou sentindo emocionalmente”.

     Ana, sua pergunta é importante porque eu posso esclarecer um pouco sobre as diferenças entre psicoterapia, psiquiatria e medicina em geral. O psiquiatra tem a mesma formação de um médico, com especialização em psiquiatria, assim como outros se especializam em ortopedia, cardiologia, etc. Um psicoterapeuta tem outro foco. Sua formação é mais “humanista”, buscando mais o lado emocional e relacionamento com o cliente. Qual é o melhor? Não existe, pois tudo depende do que você precisa. Aqui vai uma receita simples: se você sofre um corte na mão, você procura um médico normal. Se você tem problema de depressão, não consegue dormir mais que duas horas por noite, provavelmente um psiquiatra poderá te ajudar, pois além do lado emocional tudo indica que você vai precisar de algum medicamento. Caso o seu problema seja puramente emocional, ou seja, você está sofrendo com um relacionamento, você tem um problema que há muito tempo não consegue resolver, um psicoterapeuta pode ser a melhor alternativa, pois você tem uma hora inteira dedicada exclusivamente para seu caso. Muitas vezes, dependendo da seriedade do caso, há clientes que precisam de profissionais de diferentes áreas ao mesmo tempo. Repito que o acima é apenas uma idéia das diferenças bem básicas dessas profissões.

     Muita saúde, muita alegria, muita psicologia positiva e não se esqueçam que as borboletas vivem geralmente 2 semanas (incrível, não?) e nem por isso perdem sua “alegria de viver”! Até outubro! Muito obrigado!

* É jornalista, pós-graduado em Marketing (ESPM) e Comunicação (ESPM), mestrado em Psicoterapia(Stetson University) e doutorando (Barry University) na mesma área com foco em Psicologia Positiva. Claudemir atende no Kratochvil Health Kare. Por favor, envie sua mensagem para seeds@seedsofdreams.org

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Comments

  1. Querido Claudemir…
    Não sei nem por onde começar dessa vez…. Esse texto, realmente, é de tocar fundo a alma de quem tem o privilégio de ler…
    O exemplo lindo do seu jardim, é, na verdade, uma escola… Todo mundo admira e aprecia um jardim limpo, florido, impecável… Mas, muitas vezes (creio que na maioria delas!!!), as pessoas não conseguem se ater a tudo o que envolve o cuidado com um jardim… O gramado não está daquele jeito lindo, como um tapete, graças a um simples “estalar de dedos”… As flores não crescem instantaneamente, com várias cores, cheias de vida, perfumadas e lindas… Ah… que trabalho árduo, desde o preparar a terra, o terreno para começar a plantar seu jardim… Há de se preparar o terreno para receber a grama, os canteiros para receber as sementes ou mudas de flores, os adubos, fertilizantes, maquinários que irão percorrer toda a área do jardim, enfim, verdadeiramente, é um trabalho árduo… Cada dia você deve regar, adubar, podar de acordo ao tempo, replantar algumas vezes… E sempre cuidar dele com muito carinho e amor, porque desde que uma semente é lançada na terra, ela já começa a sentir tudo o que está envolvido diretamente no crescimento dela.
    O mesmo acontece nas nossas vidas, Claudemir… Quantas vezes, o “jardim da nossa vida”, precisa ser replantado, podado, limpo de ervas daninhas… Quantas vezes, depois de uma grande tempestade, olhamos nosso “jardim” e vemos tudo arrasado, destruído, arruinado… A reação inicial é de “choque”, um misto de frustração com espanto. Nessa hora, de nada vai adiantar você passar tempos e tempos olhando pesaroso para o jardim destruído… É dessa ruína, que devemos suscitar forças, para recomeçar, com a força e desejo de vê-lo ainda melhor e mais bonito do que era inicialmente. As ervas daninhas aparecerão por certo ao longo da vida desse jardim, outras tormentas e tempestades virão, mas, se o jardineiro focar apenas na beleza do jardim antes da tempestade, quantas vezes as intempéries da vida o judiar, tanto mais ele suscitará forças dentro dele próprio para recomeçar, independente de quantas vezes ele tenha que fazer o mesmo processo ao longo da sua vida.
    Costumo dizer, meu amigo, que , se pegarmos um limão, ficarmos olhando para ele e pensando apenas no “azedo” dele, perderemos a preciosa oportunidade de pegar esse limão, cortar ao meio, espremer, misturar com água e colocar açúcar e gelo e desfrutar de um delicioso refresco em dias ensolarados e quentes. Era azedo, mas, fazendo dessa maneira, transformamos o azedo em doce… Se fizermos dessa mesma maneira com os problemas que enfrentamos, certamente, conseguiremos enfrentar as nossas lutas e dificuldades, por piores e mais difíceis que sejam, de maneira um pouco mais doce e leve.
    Os frutos amadurecidos à força, não são tão saborosos quanto os que amadurecem naturalmente… Temos que ter prudência e paciência… Isso é sabedoria para nossas vidas!
    Um forte abraço, Claudemir e obrigado, mais uma vez, por encher meu coração de coisas boas com seus textos!
    Tati

    • Tati,
      Super obrigado por seus comentários e por sua leitura. Você é uma das poucas que usam o blog, pois a maioria dos meus leitores recebem a coluna e me comentam no proprio e-mail da empresa… mas como você bem fala, estamos na mesma página com relação aos jardins da vida. Fique com Deus e muito obrigado e muita colheita para você!!!!
      Claudemir

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