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Psicologia Positiva nos Esportes


PSICOLOGIA POSITIVA    

Claudemir Oliveira*

     Em várias colunas tenho falado sobre o fato de sermos muito emocionais e pouco racionais. Ser um pouco mais racional pode elevar sua qualidade de vida tanto no lado pessoal quanto profissional. Percebo que quando o assunto é esporte entramos em transe total e na verdade não pensamos muito sobre o que falamos ou fazemos.

Psicologia positiva nos esportes

      De todos os esportes, eu diria que o futebol é um dos que praticamente não se nota psicologia positiva, especialmente para os técnicos. Lembram-se da minha segunda coluna? Lá comentei que não devemos massacrar a autoestima de nossos filhos quando eles tiram apenas 1 nota baixa em comparação com 9 notas altas. A mesma analogia pode ser usada nos esportes e mais especificamente nos técnicos de futebol. Eles podem ganhar dezenas de campeonatos, títulos nacionais e internacionais, etc, mas quando eles perdem dois ou três jogos seguidos, a probabilidade de serem demitidos é muito alta. Ninguém escapa, absolutamente ninguém. Vou citar apenas três nomes recentes: Felipe Scolari, (ex-Chelsea) Vanderlei Luxemburgo (ex-Palmeiras) e Muricy Ramalho (ex-São Paulo). O currículo dos três é inquestionável mesmo que você não goste deles. Do ponto de vista de psicologia positiva, os três exemplos poderiam ter um final feliz e os times poderiam continuar ganhando mais títulos. O que leva isso a acontecer? Muita emoção, característica dos esportes e pouca razão. Junte-se a isso, o fato de você lidar com milhões de opiniões, pessoas apaixonadas por seus clubes. A palavra “apaixondas” lhe diz alguma coisa? Isso mesmo, paixão é pura emoção. Os jogadores passam pelas mesmas experiências: o Ronaldo estava gordo até fazer vários gols. Agora está magro. Se passar alguns jogos sem gols, vai engordar de novo e assim sucessivamente. A cabeça humana é, muitas vezes, uma brincadeira de mal gosto. As pessoas veem o que é conveniente enxergar, não necessariamente a realidade.   

     Tudo isso acontece porque criticar é mais fácil que elogiar. Quem já não ouviu a frase popular “pimenta nos olhos dos outros é refresco?”. Se as pessoas conseguissem entender o significado da palavra empatia (colocar-se no lugar do outro), talvez as coisas fossem diferentes. Mas o emocional não nos deixa usar o racional que temos. Você pode mudar isso!

Psicologia positiva e Rubens Barrichello

     Os dois parágrafos anteriores foram apenas um “gancho”  para eu falar um pouco de um outro esporte tão popular no Brasil: Fórmula 1. O Rubens Barrichello esteve aqui em Orlando no mês de julho e recebeu um bilhete meu através de minha amiga Juliana Cadiz. Falo anualmente para milhares de pessoas e quando as palestras são no Brasil eu gosto de instigar, no bom sentido, os participantes. Há um momento que falo de vencedores, de grandes profissionais e adivinha quem eu cito como referência e admiração? Rubens Barrichello. Um silêncio enorme invade o salão. Não acreditam que eu tenho a coragem de dizer que o Rubinho é um grande exemplo brasileiro de competência. Competência pura, das melhores. Já não me assusto mais porque é simples explicar: eu vejo sempre o copo meio cheio e a maioria dos torcedores veem a carreira dele através de uma ótica emocional e irracional. As pessoas, geralmente, julgam um grande profissional somente se ele for campeão mundial, “visão atômica”; creio que o fato de não ser campeão não necessariamente tira o valor de um profissional, de um grande vencedor. Como explicar que todos sabem que foi Neil Armstrong quem pisou primeiro na lua, mas “ninguém” se lembra quem foi o segundo e o terceiro (Buzz Aldrin e Charles “Pete” Conrad)? Roberto Shinyashiki, em sua livro Heróis de Verdade, comenta que a sociedade tem uma visão muito pobre, que eu chamo de “visão atômica”, de nossos verdadeiros heróis.

     Deixe-me entrar na “pista” racional para vermos quem vence essa corrida. Trabalho no mundo corporativo há mais de 20 anos e aqui vai o primeiro argumento: Você acha que alguém pode trabalhar 6 anos para uma FERRARI se ele não for competente, digo, MUITO competente? Ou alguém acha que o presidente da Ferrari deixou ele lá só por peninha dele? Do ponto de vista capitalista, alguém pode dizer que Rubinho é um incompetente? Tente dar uma olhadinha na conta corrente dele! Não consegue? Imagine, então, quanto ele tem! Alguém conhece um profissional que tem seu próprio jatinho para ir às corridas? Como pessoa, alguém já viu Rubens Barrichello ser grosso, mal educado? “Sempre” um “gentleman”, grande pai de família. Sim, eu sei, que nesse momento a maldita frase “mas ele não é campeão” deve passar pelas cabeças dos críticos. Minha resposta: “visão atômica” da situação como um todo. Vou mudar a opinião das pessoas? Talvez sim, talvez não. Tenho amigos e parentes que amo que discordam de minha admiração pelo Barrichello. Não há nenhum problema em sermos diferentes. O objetivo da coluna é mostrar outros ângulos sobre uma ótica de psicologia positiva.

     O mais interessante é que 99,9% dos que o chamam de “pé-de-chinelo” nunca correram em Fórmula 1 e, se viessem a correr, a probabilidade de nem terminarem a corrida seria grande (os críticos poderiam ir dormir sem essa). E se terminassem, GARANTO que chegariam atrás do Rubens (poderiam dormir sem essa também). Poderia, então, argumentar que não tem fundamento suas críticas por falta da credibilidade. As poucas críticas construtivas que leio dizem que Rubens é um bom acertador de carros. Usam isso como que querendo dizer que ele não é bom no volante. Ele só sabe acertar carros. Será? Por que então não o contratariam somente para acertar os carros e dariam o volante para outro piloto? A resposta mais uma vez é simples: o Rubens, além de ótimo acertador de carros, é um excelente piloto. Ah, você acha que já estou defendendo demais o Rubens? Vamos a mais um fato, vamos ao racional de novo: ano passado a Honda fechou e todos imaginavam que seria o fim do Barrichello. Para piorar a situação, quando a “Honda” sobreviveu, ou seja, quando no último minuto, ela foi transformada em Brawn GP, havia muitos pilotos loucos para uma vaga na nova equipe. O Bruno Senna era o mais cotado por quatro bons motivos: fez um grande campeonato na GP2, excelente teste na Honda no ano anterior, trazia consigo muitos patrocinadores, além do sobrenome. Foi barrado! Quem decidiu pegar o Rubens Barrichello? Ross Brawn, o dono da nova equipe. Não foi o Claudemir, não foi nenhum critico, mas o cara mais respeitado na Fórmula 1 hoje. Será que o Ross entende de bom piloto? Se os argumentos acima não forem suficientes para uma boa reflexão, abaixo tenho minha última esperança.

     Por que recomendo ver outros ângulos mais positivos nas pessoas? Porque faz bem, porque aprendi no doutorado da vida que quando a gente não pode elevar uma pessoa, a gente não deve diminui-la, e muito menos, ridicularizá-la. Porque eu acredito nos sonhos das pessoas, incluindo o seu sonho e o do Rubinho de ser campeão. Porque eu, você, e todos os críticos de plantão tem ou podem vir a ter filhos. Espero que na corrida da vida seus filhos possam ser celebrados mais pelas qualidades que pelos pequenos “acidentes” de percurso. Espero que eles vejam o brilho de alegria nos seus olhos pelos campeonatos ganhos e muito apoio, jamais críticas destrutivas, nos campeonatos a serem conquistados. Boa viagem, amigos!

* É jornalista, pós-graduado em Marketing (ESPM) e Comunicação (ESPM), mestrado em Psicoterapia(Stetson University) e doutorando (Barry University) na mesma área com foco em Psicologia Positiva. Claudemir atende no Kratochvil Health Kare. Por favor, envie sua mensagem para seeds@seedsofdreams.org

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