post

Uma gota no oceano


PSICOLOGIA POSITIVA    

Claudemir Oliveira*

     Mês passado, estive na Filadélfia, Pensilvânia, para o primeiro congresso mundial de Psicologia Positiva. Foram quatro dias de seminários e o principal foco foram os avanços alcançados por essa nova ciência que estuda como as pessoas e as comunidades crescem positivamente. Em uma das palestras, verifiquei alguns dados interessantes. Uma pesquisa feita pela doutora Nancy Etcoff mostra como o ser humano é levado a ler muito mais coisas negativas que positivas. Ela pesquisou artigos escritos entre 1887 e 2003 e verificou o seguinte: 93.381 artigos sobre depressão contra apenas 4.247 sobre felicidade; 23.790 sobre medo e 933 sobre coragem, e, finalmente, 242.134 sobre doenças e 38.349 sobre prevenção. Os números não me surpreendem. Se você abrir um jornal em qualquer parte do mundo, a proporção é bem parecida. A televisão também não se diferencia dessa realidade.

O PAPEL DA IMPRENSA

     A minha posição não é direcionada à imprensa porque ela publica o que interessa aos leitores. A situação é bem mais complexa, ou seja, no dia que os leitores começarem a gostar de ouvir coisas positivas, a imprensa seguirá naturalmente esse caminho. Um exemplo é esse jornal que apostou na idéia de Psicologia Positiva. O importante é entendermos porque somos assim. Eu tenho uma visão bem pessoal e, obvio, não científica, sobre os motivos que atraem as pessoas a “gostarem” de notícias ruins. Inconscientemente, ao ver a desgraça alheia, pensamos: puxa, minha situação não está tão ruim assim, que bom que não aconteceu comigo. Bem egoísta, não? Tem muito a ver com a questão de sobrevivência. O “não” estar não tragédia passa a ser interessante. Repito que tudo isso acontece de uma forma inconsciente e essa opinião está baseada em minha forma de ver as coisas, e não necessariamente na literatura científica. O mais importante é que sempre podemos mudar nossos pensamentos e coloca-los em ação. 

CARIDADE E PSICOLOGIA POSITIVA

     De uma forma geral, cheguei a tocar nesse assunto em edições anteriores. Numa das colunas eu falava que uma das melhores terapias para quem estava sofrendo era fazer algo de bom para as pessoas. Ao fazer o bem, nossa autoestima se fortalece e o nosso problema diminui, de forma proporcional, ou seja, quanto mais fazemos, melhor nos sentimos. O exemplo era diretamente ao leitor que estava sofrendo. Mas a pergunta que não quer calar: temos de estar sofrendo para fazer o bem? Óbvio que não! E porque não fazemos? Para responder a essa pergunta filosófica vou buscar inspiração em Madre Teresa de Calcutá. Ela dizia que o ser humano não faz mais coisas boas porque tem a sensação de que o que faz é muito pouco, que não vale a pena, que não vai ser notado: “É como uma gota de água no oceano”. Ela, então, dizia que jamais poderíamos nos esquecer que o oceano não seria o oceano sem a nossa gota. O ponto dela era super simples: devemos pensar no todo, ou seja, são milhões de “gotinhas” que fazem o oceano. O pouco feito por muitos pode transformar o mundo de forma mais rápida que imaginamos. Sim, você pode dizer que sou um sonhador, mas eu provo minha simples teoria. Temos de pensar como Madre Teresa. Temos de fazer o nosso pouquinho. Vamos a minha matemática? Você sabe quantos milhões de pessoas veem o final do programa “Big Brother” no Brasil? Você sabe quantas pessoas veem as novelas TODOS OS DIAS no Brasil? Milhões e milhões de pessoas, certo? Imagine a seguinte cena: um presidente da república faz o seguinte discurso: “Brasileiros e Brasileiras, precisamos de sangue. Os hospitais estão sem sangue e muitas pessoas estão morrendo. Você sabia que você salva três vidas quando faz esse gesto? Precisamos de sua ajuda: se cada um de vocês que me escuta agora doar SOMENTE UMA VEZ nos próximos dez anos, não teremos mais problemas de falta de sangue no nosso pais.”

     Porque eu fiz a relação da TV? Porque são milhões de pessoas que com uma simples ação poderiam mudar toda uma situação. Sou contra novelas? NÃO. Sou contra “Big Brother”? NÃO. Mas voltando a Madre Teresa, um pequeno gesto (gota) feito por milhões transforma uma situação. Enquanto acreditarmos que devemos deixar para o governo resolver os problemas, estaremos beirando o abismo da humanidade. Eu sempre digo que “dengue” não é problema de governo, é problema de cada pessoa, cada indivíduo. Se cada um fizesse sua parte, limpando suas casas, evitando água parada, etc. NÃO existiria dengue. É falta de educação mesmo para usar um termo popular. Aristóteles (384 A.C. -322 A.C) tem uma máxima que adoro: “A educação tem raízes amargas, mas os frutos são doces (D.L. 5, 18)”. Precisamos parar com essa inércia de esperar, esperar, esperar e não fazermos nada! Infelizmente, não sou presidente da republica e não tenho como atingir milhões (ainda), mas tenho de começar com meus amados 40.000 leitores que leem esse jornal. Vamos doar sangue?

PERGUNTAS TERAPÊUTICAS

     Na ultima edição, não tive espaço para responder a sua pergunta, mas como prometi, aqui estou de novo para falar com você. Verônica, de Miami, pergunta o seguinte: Claudemir, tenho usado Psicologia Positiva com meus filhos, sempre vendo as coisas boas deles e realmente funciona. Mas com meu marido, nem sempre consigo mostrar a ele os benefícios de ser mais positivo. Sinto-me frustrada. O que fazer?

     Verônica, as pessoas são diferentes e entendo sua frustração. Mas a melhor resposta é você mostrar através dos exemplos que você tem dentro de sua própria casa: seus filhos. Pegue leve (risos), senão seu marido vai começar a te chamar de Poliana (mais risos). Não culpo as pessoas por ainda não enxergarem os benefícios, afinal, como coloco no primeiro parágrafo, somos inundados de noticias ruins e fica difícil respirar coisas positivas. Mas a prática dar resultados. De novo, Aristóteles: “nós somos o que repetidamente fazemos; portanto, excelência não é um ato, mas um hábito”. Obrigado e tenha um mês positivo!

* É jornalista, pós-graduado em Marketing (ESPM) e Comunicação (ESPM), mestrado em Psicoterapia(Stetson University) e doutorando (Barry University) na mesma área com foco em Psicologia Positiva. Claudemir atende no Kratochvil Health Kare. Por favor, envie sua mensagem para seeds@seedsofdreams.org

 

Anúncios

Comments

  1. João Boucault says:

    Excelente matéria. Parabéns

  2. Adriana Arruda Doria says:

    Umas das melhores materias que ja li.

Deixe seus comentários (sementes de sonhos). Quero aprender com você!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: