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Fato ou Fofoca? Os filtros de Sócrates


PSICOLOGIA POSITIVA   

 Claudemir Oliveira*

     Na última edição deste jornal, o editor Fabio Lobo levantou questões importantes em seu editorial “o sucesso depende de grandes planos”. Muitas de suas idéias apresentadas trazem conceitos de Psicologia Positiva. Fabio comenta que “nascimentos são menos comentados que partidas. Tragédias, problemas e traições são mais abordados que vitórias. E assim seguimos… traindo tudo o que nos foi dado de presente. Utilizando essa máquina perfeita, plena, irretocável, contra nós mesmos. Antecipando um final que poderia ser o começo…” 

SERIA O FINAL?

     Seguindo o raciocínio do Fabio, enquanto o mundo fala no final dos tempos, acredito que ele nem começou. O medo tem deixado as pessoas literalmente sem direção, sem perspectivas e acabam fazendo uma tempestade em um copo de água. Psicologicamente falando, a única explicação que tenho para isso é que quando lidamos com os fatos de forma EMOCIONAL, ficamos meio cegos, ficamos sem direção, ficamos incoerentes… em resumo, fazemos besteiras. Deixe-me exemplificar com um caso bem recente.

GRIPE, QUE GRIPE?

     Vocês perceberam que as noticias sobre a gripe suína ficaram (espero que ao ser publicada essa coluna, já não se fale mais nisso)na mídia quase 24 horas por dia? Foi feito um alarme que parecia um fim do mundo. Repito, tudo emocional. Um pouquinho de razão colocaria essa gripe onde ela deveria estar, ou seja, uma gripe, nada mais que isso. Em nenhum momento, a crise suína me tirou o sono (E fui fazer palestra no México em Marco). Isso quer dizer que não acredito nela ou que não ache que seja algo sério? Obvio que não! Temos de tomar cuidado, mas repito, existe uma diferença astronômica entre tomar cuidado e achar que a população humana vai desaparecer. Isso mesmo, assim as noticias chegam até a gente. O mundo vai acabar! Ora bolas, como se diz aqui nos Estados Unidos, “give me a break”. Se você ainda acha que estou menosprezando algo sério, permita-me argumentar racionalmente e não emocionalmente sobre o fato. Morrem, anualmente nos Estados Unidos, mais de 35.000 pessoas de gripe simples. Vou enfatizar: TRINTA E CINCO MIL PESSOAS. Sabem quantas morreram nesse “novo final do mundo”? Resposta: 1. Vou enfatizar: UM. No Brasil, somente suspeitas que, na grande maioria, chegaram a conclusão que era gripe simples mesmo. No México onde tudo “começou” morreram menos de 15 pessoas até o momento que escrevo essa coluna. Preciso argumentar mais? Quando agimos emocionalmente, fazemos besteiras. Milhares e milhares de pessoas estão perdendo seus empregos por nossa própria culpa, por sermos medrosos diante de tempestades em copos de água. E porque não se faz algo pelos milhões que morrem de fome? Repito que em nenhum momento acho que não se deva tomar cuidado com doenças, principalmente contagiosas. Estou dizendo que temos de ter um bom senso de saber a diferença entre final do mundo ou uma simples tempestade.

É FATO OU APENAS SUSPEITA?

     Antes de terminar esse tema, conto uma história muito interessante que se bem aplicada pode evitar essas situações. Gabriel Garcia Márquez, grande escritor Colombiano, narra em um de seus contos o seguinte: durante o café da manhã, numa cidadezinha bem pequena, a mãe olha para seu filho pequeno e diz:

     – Filho, tenho um pressentimento que uma tragédia vai acontecer hoje na nossa cidade…

     A criança, assustada e preocupada, pergunta o motivo. Sua mãe apenas responde que é apenas um pressentimento, que ela não sabe porque teve aquele pensamento naquela manhã. Pois bem, o filho vai para a escola pensando que algo terrível vai acontecer até o final do dia. Ao chegar a escola, ele fala com a Maria sobre o que a mãe disse. A Maira fala para o Marcos, que fala para o Roberto, que fala para a Joana, que fala para o professor, que fala para a diretora…

     Resumindo: no final daquele mesmo dia, todos estão arrumando as malas e saindo correndo com medo da tragédia que vai acontecer nas próximas horas. A cena final do conto de Garcia Márquez é espetacular. A Mãe, vendo todas as pessoas saírem da cidade em pânico, olha para seu filho e diz:

     – Meu filho, eu te avisei, eu te falei que algo terrível aconteceria hoje na nossa vila… Eu sabia que algo terrível se passaria. Olhe, todos estão correndo, fugindo…

     A moral da história é que tudo aconteceu pelo que a mãe falou para o filho, mas NADA existe de FATO. Foi a cabeça das pessoas que fez a tragédia. Não existe tragédia alguma! Então, prezado leitor, cuidado com o que contam para você. Não saia correndo de sua casa, de sua vila simplesmente porque alguém esta dizendo que algo terrível vai acontecer. Estamos fazendo isso sem perceber quão estúpidos somos!. Esse conto cai como uma luva sobre a gripe suína. Os fatos, até esse momento, deixam claro apenas que é algo sério, sim sério. Só isso!

FILOSOFIA SOCRÁTICA E FOFOCAS

     O filósofo grego Sócrates tinha algo extraordinário para separar o que era fofoca de fato. Quando alguém se aproximava dele e dizia: Sócrates, tenho algo para te falar. Ele respondia dizendo o seguinte: antes de você falar qualquer coisa, preciso que o conteúdo passe por dois filtros.

PRIMEIRO FILTRO: O que você tem para me falar é um fato? Ou seja, é algo real ou alguém lhe contou isso? Se NÃO for um fato, se não for algo real, então, o que você tem para me dizer eu considero uma simples fofoca, então, NÃO me conte!

SEGUNDO FILTRO: Vamos supor que realmente é um fato, é algo real o que você tem para dizer. Então, aqui vem o segundo filtro para ver se você me fala ou não. O que você tem para contar é algo bom? É algo que vai melhorar nossa relação? É algo que vai melhorar o mundo? Pois bem, se não atender esse requisito da bondade, NÃO me conte!

     Pois é, meus prezados leitores, passam séculos e parece que não aprendemos. Se fizéssemos o exercício socrático diante de muitas situações em nossas vidas, não sofreríamos tanto com as fofocas, com coisas que não são fatos. Então, muito cuidado com as histórias que as pessoas ou a imprensa passa para você. É fato ou fofoca?

     Na coluna de Junho, volto a responder suas perguntas. Escreva para seeds@seedsofdreams.org. Muito obrigado!    

* É jornalista, pós-graduado em Marketing (ESPM) e Comunicação (ESPM), mestrado em Psicoterapia(Stetson University) e doutorando (Barry University) na mesma área com foco em Psicologia Positiva. Claudemir atende no Kratochvil Health Kare. Por favor, envie sua mensagem para seeds@seedsofdreams.org

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